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Reais motivos para a Sustentabilidade Empresarial

Este trabalho apresenta de acordo com os elementos vivenciados no curso de Responsabilidade Sócio-Ambiental ministrados pela professora Ana Cristina Coelho dos Santos uma busca por reais motivos para que toda empresa produza ações e destine recursos financeiros e humanos sistemáticos para promover a sustentabilidade em todos os aspectos numa organização empresarial.

 

1. INTRODUÇÃO

 

A prática de medidas e investimentos sistemáticos pelas empresas com objetivos nobres de ajudar o ambiente sem receber nada troca – além do que é exigido por lei – infelizmente são raras.

Exemplo disso no aspecto ambiental revela-se com os fracassos exemplares da Conferência de Copenhague, Conferência ambiental de Bali e o travado protocolo de Kyoto dentre outros.

O desenvolvimento sustentável é entendido como aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade das gerações futuras de atenderem às suas.

Percebe-se que no fundo as empresas não se importam com os danos provocados ao meio ambiente, não pensam nas gerações futuras, ou quando avaliam o assunto, não designam a determinada importância, pois ainda estão focadas no lucro absoluto e ditatorial.

Nem ao menos o Governo Brasileiro tem bons exemplos, visto que leis são alteradas para desmatamento e destruição de um dos maiores pulmões verdes do mundo a cada dia que passa.

No Guia de Sustentabilidade para as Empresas, do IBGC, existem referências onde citam a – melhora do gerenciamento de risco – como um dos mais fortes fatores para se iniciar planejamento a logo prazo em ações sustentáveis nos grupos econômicos, ambientais e sociais. Sustenta ainda a necessária capacidade da empresa em erradicar os aspectos negativos das suas operações e aperfeiçoar os aspectos positivos.

Certamente, as empresas que atualmente criam despesas para promover responsabilidade social estão fazendo isso em troca de transformar essas despesas em algum tipo de investimento.

Assim justificam-se tais despesas – na busca do lucro apenas.

Contudo pela dificuldade de avaliar tais lucros, por serem em maioria intangíveis, torna-se um fator que não motiva os empresários.

Ainda que muitos invistam em sustentabilidade, mesmo assim torna-se primordial analisar os motivos para tais investimentos por se tratar do ponto de partida para quebra de paradigmas até hoje fixados no materialismo do lucro concreto.

 

DESENVOLVIMENTO

O planejamento estratégico empresarial a cada momento está mais envolvido com a responsabilidade social. Com a identificação das forças/fraquezas e ainda ameaças/oportunidades criando cenários pela matriz Swot – aplicando em um planejamento – a empresa estará buscando sua sustentabilidade em determinada profundidade.

Automaticamente deve vir em questão o nível de responsabilidade social empresarial necessário e todos os demais aspectos relevantes para a real sustentabilidade futura.

Nesse ponto a ética dos gestores e a disponibilidade financeira é essencial para a decisão sobre os projetos que serão feitos para sua sustentabilidade, se estarão na manutenção básica exigida por lei ou irão além do exigível.

A excessiva carga tributária no Brasil já é uma grande barreira a tais investimentos. Numa empresa com uma margem de lucro no limite do equilíbrio – como poderia dispor de mais recursos para criar um projeto social em uma determinada comunidade?

Ainda aliado à dificuldade de mensurar o retorno dos investimentos em sustentabilidade o Gertor apresenta a idéia concebida de que ações sustentáveis são despesas sem retorno. Outros ainda defendem a postura clássica de Milton Friedman onde ações sociais devem atender acima de tudo aos interesses dos acionistas atuando nos limites definidos por lei.

Na atualidade podemos verificar que ações de sustentabilidade já são comprovadamente favoráveis ao marketing da empresa. Consumidores e investidores estão muito atentos à responsabilidade da empresa perante todos. Ainda assim podemos elaborar mais alguns motivos para as empresas praticarem ações sustentáveis

  • Aumento da confiança dos investidores e maior liquidez de recursos disponíveis a empresa;
  • Melhorar o gerenciamento de riscos;
  • Preservar a integridade ambiental para gerações atuais e futuras;
  • Construir relacionamentos harmoniosos na sociedade;
  • Reputação positiva e sólida, melhorando imagem empresa e dos produtos ou serviços oferecidos;
  • Práticas responsáveis produzem estímulos para melhorias internas;
  • Elevação do valor dos ativos intangíveis da empresa;

Para melhor o entendimento de como as empresas se comportam quanto ao tema sustentabilidade, verifica-se que existem cinco estágios e aplicação da sustentabilidade de acordo com o Guia de Sustentabilidade para as Empresas. Tais estágios serem para que a própria empresa possa se avaliar perante a sociedade conforme abaixo.

“1  – Pré-cumprimento legal: neste estágio a empresa entende que os lucros são sua única obrigação, ignora o tema sustentabilidade e coloca-se contra qualquer regulamentação neste sentido, pois representaria gastos adicionais.

2 – Cumprimento legal: a empresa gerencia seus passivos obedecendo à legislação trabalhista, ambiental, de saúde e segurança. Limita-se ao cumprimento legal e o faz com competência. Ações sociais e ambientais são consideradas como custos e a sustentabilidade é tratada “da boca para fora”.

3 – Além do cumprimento legal: a empresa apresenta postura pró-ativa, percebendo que pode economizar custos por intermédio de iniciativas de ecoeficiência e reconhece que investimentos sócio-ambientais podem minimizar incertezas e riscos na operação, melhorar a reputação e impactar positivamente o valor econômico. Iniciativas de sustentabilidade estão concentradas em departamentos especializados, em vez de institucionalizadas.

4 – Estratégia integrada: a empresa redefine-se em termos de marca e integra a sustentabilidade com suas estratégias-chave de negócios. O fórum principal do tema na empresa é o conselho de administração. Consegue agregar valor econômico por meio de iniciativas diferenciadas que beneficiam suas partes interessadas. No lugar de custos e riscos, percebe investimentos e oportunidades, desenvolve produtos e serviços limpos, está atenta ao ciclo de vida dos seus produtos e serviços e beneficia-se das iniciativas de sustentabilidade.

5 – Propósito & paixão: a empresa adota as práticas de sustentabilidade porque entende que não faz sentido contribuir para um mundo insustentável. As iniciativas de sustentabilidade não chegam ao conselho de administração, mas emanam dele.”

Mas os Gestores devem ter em mente ainda que a sustentabilidade vai muito além do que a transparência, confiança, aprimoramento dos negócios, equidade, prestação de contas, incremento financiamentos e responsabilidade corporativa.

“Lex III: Actioni contrariam semper et aequalem esse reactionem: sine corporum duorum actiones in se mutuo semper esse aequales et in partes contrarias dirigi.”

“Lei III: A toda ação há sempre uma reação oposta e de igual intensidade: ou as ações mútuas de dois corpos um sobre o outro são sempre iguais e dirigidas em direções opostas.” – Isaac Newton

 

Na realidade é essencialmente a sobrevivência da empresa que está dependendo dessas ações sustentáveis antes de qualquer outro benefício ou retorno.

As relações dos elementos da Física descortinadas por Isaac Newton como pode ser verificado em sua terceira lei nos revelam muito mais que efeitos no movimento dos corpos. Não é difícil de verificar que todas as ações produzidas geram reações em qualquer tipo de inter-relação existentes.

Dessa forma – na entidade empresarial – suas ações negativas para a sociedade ou ao ambiente terão reações igualmente negativas com a mesma intensidade em sentido oposto, ou seja, contra ela mesma.

Em contrapartida ações positivas teriam a mesma lógica dessa lei natural caso fossem praticadas, com resultado positivo obviamente.

A aliança entre ciência e gestão empresarial sugerida produz uma teoria que envolve novas questões e cria motivos empresariais para se praticar ações sustentáveis muito além das relatadas até agora.

E motivo é o ponto de partida.

Além disso, muitos outros fatores e ações estão envolvidos no processo. São casos típicos de reações descasadas, pois emanam mais ações de ganhos reais imediatos pela ação da produção positiva do que chegam reações de causas negativas.

Ainda assim verifica-se que todas as empresas produzem boas ações de alguma forma e elas compensam muitas das reações negativas.  Dessa forma não se pode prever o tempo de retorno de suas ações negativas, somente a certeza que elas um dia irão acontecer – em sentido contrário e na mesma intensidade. É uma lei.

O fato mais alarmante contudo será gerado com as reações negativas de todas as empresas somadas. Coletivamente a destruição promovida pelas empresas já reflete nas mudanças climáticas sentidas hoje.

 

“As cidades devem esperar ondas de calor cada vez mais intensas e frequentes com potenciais impactos para a saúde humana.”  (IPEA, 2010)

 

Em reflexão analítica, não existe produção em maior escala sem consumo de recursos da natureza. No mínimo a entidade está consumindo luz e água – o que demanda construção de novos geradores, hidrelétricas, usinas – em contrapartida – poluição e desmatamento.

Até que se desenvolvam empresas absolutamente auto-sustentáveis pela utilização de alta tecnologia, todas as organizações empresariais devem mergulhar fundo no plano de negócio a curto e a longo prazo na missão básica de detectar além dos pontos fortes e fracos, descortinar os danos que a empresa causa no ambiente, na sociedade e economia.

E ainda – de imediato – tentar anualmente reduzir esses danos; e por outro lado compensar suas reações negativas com ações positivas na construção do ambiente, educação social e prestação econômica de melhor valor. O real motivo de todo esse esforço é a simples busca pela maior duração de suas atividades.

O equilíbrio das ações negativas com as positivas formam assim o verdadeiro equilíbrio sustentável da entidade empresarial, pois as leis físicas que regem a natureza dessa forma estarão ao lado dela.

A construção de uma eco-economia é empolgante e recompensadora. Significa podermos viver num mundo onde a energia venha de turbinas eólicas, e não de minas de carvão; onde as indústrias de reciclagem substituam indústrias de mineração; e onde as cidades sejam planejadas para pessoas e não para carros. E, mais importante talvez, ter a satisfação de construir uma economia para sustentar, e não solapar as gerações futuras. (Lester Brown, 2003)

A prática pela sustentabilidade torna-se logo uma obrigação de toda empresa pela busca do equilíbrio natural das suas inter-relações com todos os seus pontos de interseção com este mundo – nesse caso, com os empregados, fornecedores, compradores, investidores, a comunidade, meio ambiente, dentre outros.

 

CONCLUSÃO

Portanto, contraponto com a visão de Milton Friedman – as ações positivas responsavelmente sociais devem ser praticadas pelas próprias empresas de acordo com o grau de danos que provoca ao ambiente interno e externo em todos os níveis. Muitas vezes pode ser que não seja necessário praticar além do que se estabelece por lei. Mas pelo autoconhecimento empresarial dos males causados ao planeta em todos os seus aspectos – certamente muito mais deve ser feito pela empresa.

Não basta o lucro máximo se a organização empresarial está criando milhares de ações negativas por segundo para ser reativada contra ela mesma num futuro incerto.

Motivo maior do que a sobrevivência da própria empresa não existe para que se iniciem ações responsáveis a nível de capital social, com os empregados, com fornecedores, compradores, investidores, comunidade, todos, mas principalmente o ambiental – onde de maneira muitas vezes sutil a empresa consome recursos e promovem danos que certamente terão efeitos futuros sobre ela mesma.

Dessa forma tanto a empresa individual quanto a de grande porte deveriam ter seu grau de responsabilidade avaliado para desde o início de suas operações trilharem ações construtivas perante as incontáveis reações que terão em seu futuro a trilhar.

Fazer o certo contribuindo da melhor forma para a manutenção do ambiente interno e externo – todas as empresas já disso desde a revolução industrial. Falta vontade, esforço, dedicação, e motivação para praticá-la de fato.

Quanto aos motivos impulsionadores, não há fato mais convincente do que a própria manutenção e sobrevivência da empresa. Com esse mínimo de conhecimento aliado a observação das mudanças climáticas – somente faltaria moral e ética para promover ações sustentáveis.

O combate ao lucro egoísta deve ser combatido em nome da sobrevivência.

Ainda assim, adaptando o contexto, embora nenhuma empresa possa voltar atrás para fazer um novo começo, qualquer uma pode começar agora e fazer um novo fim.

 

REFERÊNCIAS

 

  • ABNT. NBR 6022. Informação e documentação – artigo em publicação periódica cinetífica impressa. Rio de Janeiro, 2005.

  • · Brown, Lester. Eco-Economia. , EPI – Earth Policy Institute / UMA – Universidade Livre da Mata Atlântica. 2003. < www.uma.org.br > < www.ethos.org.br/_Uniethos/Documents/livro.pdf >

 

  • BGC. Guia de Sustentabilidade para as Empresas. Instituto Brasileiro de Governaça Corporativa. Coordenação Carlos Eduardo Lessa Brandão e Homero Luiz Santos. São Paulo, 2007.

 

  • IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Sustentabilidade ambiental no Brasil : biodiversidade, economia e bem-estar humano. Brasília. Ipea, 2010. < www.ipea.gov.br/portal/. ../livros/livros/livro07_sustentabilidadeambienta.pdf >

 

  • LUIZ, André (Espírito). Ação e Reação ditado pelo espírito André Luiz. [ psicografado por ] Chico Xavier. FEB. 20 Ed. Rio de Janeiro, 1979.

 

 

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1 comentário for Reais motivos para a Sustentabilidade Empresarial

Pâmela
19 de março de 2012

Maravilhoso tema, assunto interressantissimo

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