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Monografia de conclusão do curso de Ciências Econômicas – A problemática da agro-indústria açucareira do Estado do Rio de Janeiro
CIÊNCIAS ECONÔMICAS
Tags: Monografia
Com formação em Ciências Econômicas em 1996 coloco a disposição de maneira mais formal minha monografia sobre a Problemática da Agro-Indústria Açucareira do Estado do Rio de Janeiro.
Monografia foi orientada pelo caro professor Ivan Morgado onde com a contribuição do grande acervo bibliográfico e pessoal do meu pai Cláudio Afonso, um especialista na área, esta monografia não apenas promoveu meu sucesso na formação do curso, mas serve como registro de fatos importantes e desconhecidos sobre a cultura do açúcar no Estado do Rio de Janeiro.
Dessa forma coloco não apenas um arquivo para fazer o download, mas segue abaixa a obra na íntegra:
Como algumas tabelas não ficam boas também pode ser feito download do arquivo em formato word original clicando aqui.
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CONJUNTO UNIVERSITÁRIO CANDIDO MENDES
FACULDADE CANDIDO MENDES – CAMPOS
CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS
TRABALHO MONOGRÁFICO DE BACHARELADO
Todos os direitos reservados: É proibida a reprodução total ou parcial, de qualquer forma ou por qualquer meio, salvo com autorização, do autor. Email: claudioamrc@yahoo.com.br
A PROBLEMÁTICA DA AGRO-INDÚSTRIA AÇUCAREIRA
NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
CLAUDIO AFONSO MUYLAERT RIBEIRO DE CASTRO
MATRÍCULA Nº 900053
ORIENTADOR: IVAN FERREIRA MORGADO
Outubro de 1995.
CONJUNTO UNIVERSITÁRIO CANDIDO MENDES
FACULDADE CANDIDO MENDES – CAMPOS
CURSO DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS
TRABALHO MONOGRÁFICO DE BACHARELADO
A PROBLEMÁTICA DA AGRO-INDÚSTRIA AÇUCAREIRA
NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
CLAUDIO AFONSO MUYLAERT RIBEIRO DE CASTRO
MATRÍCULA Nº 900053
ORIENTADOR: IVAN FERREIRA MORGADO
Outubro de 1995.
FACULDADE CANDIDO MENDES – CAMPOS DOS GOYTACAZES, não aprova e nem desaprova as opiniões emitidas neste trabalho; estas opiniões são responsabilidade exclusiva do autor.
Dedicatória
Aos meus pais, pelo muito que lhes devo de estímulo e dedicação, para ser hoje o que eu sou.
Agradecimentos
Ao meu pai que muito contribuiu para a realização do meu trabalho monográfico e ao professor Ivan pela supervisão prestada durante o ano letivo.
APROVADA EM: ____/____/____
ORIENTADOR : ________________________
EXAMINADOR : ________________________
EXAMINADOR : ________________________
ÍNDICE
Página
1. INTRODUÇÃO ………………………………………………………………………….. 9
1.1. Histórico da Cana de Açúcar – No Mundo ………………………………… 9
1.2. Histórico da Cana de Açúcar – No Brasil …………………………………… 11
1.3. Histórico da Agro-Indústria Açucareira do Estado do Rio de Janeiro 22
1.4. Denominação e Conceito da Agro-Indústria Açucareira ………………. 36
1.5. O Ambiente da Agro-Indústria Açucareira e o Processo de Fabrica-
ção do Açúcar ………………………………………………………………………. 38
1.6. O Complexo Industrial Instalado e Sua Preservação ……………………. 42
2. A PROBLEMÁTICA DA AGRO-INDÚSTRIA AÇUCAREIRA ………… 44
2.1. Análise da Demanda e Oferta de Canas …………………………………….. 44
2.2. A Questão do Mercado de Açúcar ……………………………………………. 61
2.3. Pesquisa e Tecnologia ……………………………………………………………. 69
3. MATERIAL E MÉTODOS …………………………………………………………… 71
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES ………………………………………………….. 73
4.1. Equilíbrio da Demanda e Oferta do Parque Industrial Instalado …….. 73
5. CONCLUSÕES …………………………………………………………………………. 82
5.1. Complexo Industrial Instalado ………………………………………………….. 82
5.2. Questão do Mercado do Açúcar ……………………………………………….. 86
5.3. Pesquisa e Tecnologia …………………………………………………………….. 87
5.4. Conclusão Final …………………………………………………………………….. 87
6. BIBLIOGRAFIA ……………………………………………………………………….. 89
ÍNDICE DE QUADROS
Quadro 1: Evolução do Número de Engenhos no Estado do Rio de Janeiro… 24
Quadro 2: Usinas do Estado do Rio de Janeiro de 1930 ………………………….. 27
Quadro 3: Produção de Açúcar do Rio de Janeiro de 1925 a 1935 ……………. 29
Quadro 4: Produção de Álcool – RJ – 1930/34 ………………………………………. 29
Quadro 5: Cana Moída – RJ – 1929/34 ………………………………………………… 29
Quadro 6: Cana Moída, Açúcar, Álcool Produzidos e Área Colhida – RJ -
1965/66 a 1981/82 …………………………………………………………… 31
Quadro 7: Usinas do Estado do Rio de Janeiro de 1930 a 1995 ………………. 34
Quadro 8: Usinas do Estado do Rio de Janeiro na Safra 95/96 ……………….. 35
Quadro 9: Linhas de Produção (a partir da cana) ………………………………….. 37
Quadro 10: Capacidade de Moagem das Usinas do Norte do Estado do Rio
de Janeiro – TDC (toneladas de cana por dia de moagem)……… 44
Quadro 11: Tempo Perdido de Produção de Algumas Usinas do Norte Flu-
minense ……………………………………………………………………….. 45
Quadro 12: Irrigação de Cana ………………………………………………………….. 47
Quadro 13: Cana Irrigada – Experimentos no Norte Fluminense …………….. 47
Quadro 14: Produção de Açúcar com e sem Irrigação no Norte Fluminense 48
Quadro 15: Períodos de Safra – RJ ……………………………………………………. 50
Quadro 16: Composição do Período de Safra – RJ ………………………………. 50
Quadro 17: Hipóteses Adotadas para Período de Safra – RJ ………………….. 51
Quadro 18: Capacidade de Moagem (demanada) Instalada do Parque In-
dustrial por Safra em Toneladas de Cana Moída ………………… 52
Quadro 19: Canas Moídas e Áreas Colhidas nas Últimas 10 Safras no Nor-
te Fluminense ………………………………………………………………. 54
Quadro 20: Índices Para Contribuição Vertical do Incremento de Produção
de Canas ……………………………………………………………………… 55
Quadro 21: Hipóteses para Contribuição Vertical do Incremento de Produ-
ção de Canas ………………………………………………………………… 56
Quadro 22: Valores da Contribuição Vertical Conforme Hipóteses Feitas .. 56
Quadro 23: Distribuição de Áreas do Norte Fluminense em Hectares (ha) .. 57
Quadro 24: Distribuição de Áreas do Norte Fluminense em Hectares (ha) .. 57
Quadro 25: Hipóteses da Contribuição Horizontal do Incremento de Produ-
ção de Cana no Norte Fluminense ……………………………………. 58
Quadro 26: Hipóteses de rendimento Agrícola para Novas áreas Planta-
das no Norte Fluminense ……………………………………………….. 59
Quadro 27: Contribuição Horizontal do Incremento da Produção de Cana
na no Norte Fluminense …………………………………………………. 59
Quadro 28: Soma da Contribuição Vertical com Horizontal (TC) …………… 60
Quadro 29: Mercado do Açúcar – Região Centro Sul …………………………… 62
Quadro 30: Consumo Industrial de Açúcar – Região Centro Sul …………….. 62
Quadro 31: Consumo de Açúcar – Mercado Interno – em mil toneladas …… 63
Quadro 32: Hipóteses de Safras, Tempo Total de Safra e Demanda ……….. 78
Quadro 33: Diferença entre Demanda e Oferta Atual …………………………… 79
Quadro 34: Capacidade de Moagem Instalada do Parque Industrial do
Norte Fluminense em 1990/94 ………………………………………… 84
Quadro 35: Soma da Contribuição Vertical e Horizontal com Oferta Atual
Média de Canas (TC/safra) ……………………………………………. 85
1. INTRODUÇÃO
1.1. Histórico da Cana de Açúcar – No Mundo
Os estudos mais atuais indicam que a cana de açúcar é originária da Nova Guine e não da Índia ou da Polinésia, como antes se acreditava.
É provável que depois de sua introdução como planta de jardim que se mascava a oito mil anos atras, a cana tenha sido transferida, aos poucos, de uma ilha para outra no Pacifico Sul e dai, durante pelo menos três mil anos para a Península Malaia, a Indochina e a costa que rodeia a baia de Bengala, fazendo crer que a transição da cana, da condição de planta de jardim para planta de colheita, tenha ocorrido na parte tropical da Índia, vários séculos antes da era Cristã.
Da Índia, a cana de açúcar alcançou a Pérsia no século VI da nossa era, e dai propagou-se pelas regiões mediterrâneas chegando ao Egito, Marrocos, Espanha e Sicília, iniciando a agro-indústria canavieira/açucareira mediterrânea (641 d.C).
Sob a influencia árabe estabeleceu-se a Arte da refinação do açúcar no Egito no ano 1000 d.C, onde se produziu um açúcar cristal de boa qualidade que foi comercializada ate o leste da Índia.
Na Espanha a industria alcançou uma grande extensão com cerca de 75.000 acres de terras sendo cultivado no ano de 1150. Após esta data com a expulsão dos árabes a industria se enfraqueceu.
No começo do século XII a cana chegou a Zanzibar. No século XV foi levado pelos Portugueses e Espanhóis para a Ilha da Madeira, Açores, Canárias, Cabo Verde e São Tome, assim como para a África Ocidental. Esta introdução marca o inicio do declínio da industria mediterrânea.
A transferencia da cana de açúcar para o Novo Mundo (América Espanhola) ocorreu na segunda viagem de Cristóvão Colombo em 1493.
O século XVI ficou marcado pela expansão da agro-indústria canavieira/ açucareira para o Novo Mundo, sob a influencia espanhola e portuguesa, ao mesmo tempo em que assinala o declínio desta agro-indústria mediterrânea.
Em 1520 a cana de açúcar alcançou o México, e chegou ao Brasil logo após o seu descobrimento (1515/1532). Em 1535 chegou no Peru, em 1547 em Cuba e em 1548 em Porto Rico.
Em 1615 registra-se o primeiro açúcar de cana feito no Japão.
Em 1640 foi iniciada agro-indústria canavieira/açucareira nas Colônias britânicas (St.Kitts, Barbados, etc.) e franceses (Guadelupe, Martinica).
Em 1645, após serem expulsos do Brasil, os Holandeses instalaram sua agro-indústria canavieira nas Antilhas.
Em 1660 foi plantada a primeira cana na Jamaica e em 1670 os Jesuítas levaram a cana para a Argentina.
Em 1751 os Jesuítas levaram a cana de açúcar para a Louisiana.
A cana de açúcar que já se plantara em Mauricius desde o começo do século XVIII só foi cultivada na Austrália no final deste mesmo século.
Data de 1835 o primeiro açúcar fabricado no Hawai.
Em 1850 a cana de açúcar foi introduzida em Natal (África do Sul).
Em 1914/18 ocorreu a primeira Grande Guerra Mundial quando a agro-indústria canavieira teve um grande desenvolvimento principalmente em Cuba.
Em 1929 eclodiu uma grande crise econômica mundial.
Em 1931 foi criada a Comissão de Defesa da Produção Açucareira no Brasil e em 1933 foi criado o Instituto do Açúcar e Álcool que passou a ser o órgão diretor da industria açucareira brasileira.
Em 1940/45 ocorreu a segunda grande guerra mundial.
Em 1970/75 grande crise do petróleo propiciou no Brasil a criação do Pró-Álcool (1975) – Programa Nacional do Álcool, com objetivo de produzir álcool carburante a partir de matéria prima renovável, destacando a cana de açúcar como matéria prima.
Chega-se a 1995 com o Brasil primeiro produtor de cana de açúcar e o segundo de açúcar do mundo.
1.2. Histórico da Cana de Açúcar – No Brasil
No Brasil, pode se dizer, que a cana de açúcar deu sustentação ao seu processo de colonização, tendo sido a razão de sua prosperidade nos dois primeiros séculos. Do seu descobrimento em 1500, ate 1532, ha referencias de que se cultivava a cana e produzia açúcar no nordeste brasileiro, mas especificamente em Pernambuco, de onde teria ocorrido exportação de açúcar para Portugal em 1520/26, havendo ainda registros sobre um mais antigo documento referente a cobrança de direitos sobre açúcar oriundo de Pernambuco, datado de 1526 em Lisboa. Ha quem cite Pero Capico (ou Pedro Carpico) como produtor e exportador de açúcar de Pernambuco para Portugal em 1520/21.
Em 1532 chegou ao Brasil a expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza, por ordem do rei de Portugal Dom João III, para dividir o Brasil em Capitanias Hereditárias. Martim Afonso tão logo chegou ao Brasil, fundou a vila de São Vicente em São Paulo e nesta mesma região construiu o engenho que denominou de São Jorge e que e reconhecido por muitos historiadores como o primeiro do Brasil, ainda que um outro de nome São João, também figure como construído na mesma época e na mesma região (1533).
Em 1534 o Brasil foi dividido em Capitanias Hereditárias e dai por diante a expansão da cana de açúcar ocorreu de modo crescente, enquanto todas as capitanias consolidavam suas implantações através da formação de canaviais e formações de engenhos.
Todos os historiadores concordam que foi na Capitania de Pernambuco, pertencente a Duarte Coelho, onde se implantou e floresceu o primeiro centro açucareiro do Brasil, motivado por três aspectos importantes: A habilidade e eficiência do donatário, a terra e clima favorável a cultura da cana, e a situação geográfica de localização mais próxima da Europa em relação a região de São Vicente (São Paulo), outro centro que se destacou como iniciador de produção de açúcar do Brasil Colonial.
Não obstante os esforços dos donatários, o regime de capitanias Hereditárias fracassaram em virtude dos constantes ataques indígenas, do desinteresse de alguns donatários e dos altos custos para a efetivação da posse da terra em função da estrutura necessária para a montagem de produção. Deste quadro, excetuaram-se as capitanias de Pernambuco e São Vicente, cujos donatários respectivamente, Duarte Coelho e Martim Afonso de Souza, conseguiram montar um esquema produtivo, dispondo da ajuda financeira de grupos mercantis estrangeiros.
A cultura da cana nesta fase tem por objetivo a produção lucrativa da Colônia para o mercado externa. A implantação da lavoura canavieira dá-se, portanto, com as Capitanias Hereditárias. Mesmo com o insucesso do empreendimento, a Metrópole resolveu promover a produção de açúcar iniciada e bem sucedida em Pernambuco a partir da criação do Governo Geral (1548), e sua implantação em 1549, dessa forma, prosseguindo com a política expansionista da cultura de cana e produção de açúcar no Brasil.
Nesta época, a fundação da cidade da Bahia em 1549, assinalou o inicio da expansão açucareira no Brasil. O Governo Geral estabeleceu a paz entre os índios e a ocupação do solo nos recôncavos desta Capitania respondeu de modo produtivo a tríplice providencia adotada pelo rei de Portugal para encorajar e orientar o aumento da produção açucareira: Isentou por 10 anos de todas as taxas o açúcar exportado, enobreceu o proprietário do engenho numa elite agrícola do “senhor do engenho” e estabeleceu para os plantadores de cana que ainda não tinham moenda própria a regalia de as beneficiarem num lugar coletivo mediante uma cooperação tão equilibrada que em pouco tempo muitos lavradores pobres se tornaram donos de fabricas. Foram medidas eficazes. O progresso da industria açucareira foi espantoso no fim do século XVI. Na Bahia, onde os indígenas haviam destruídos os primeiros engenhos, a produção de açúcar começou após 1550. A Ilha de Itamaracá em 1565 já produzia açúcar. Alagoas teve seu primeiro engenho por volta de 1575. Em Sergipe, os portugueses procedentes da Bahia, iniciaram a produção da cana de açúcar a partir de 1590. Na Paraíba, a primeira tentativa da introdução da cultura da cana foi em 1579, na Ilha da Restinga, fracassada pela invasão de piratas franceses na região. A implantação definitiva da cultura da cana em Paraíba, surgiu com seu primeiro engenho em 1587. No Para, os primeiros engenhos foram instalados pelos holandeses, possivelmente antes de 1600. O primeiro engenho português no Para, começou a funcionar entre 1616 e 1618. Tanto no Para, quanto no Amazonas, os engenhos desviaram sua produção para aguardente, em vez de açúcar. A fabricação de açúcar e Ceara não chegou a ter relevo, começou em 1622, mas logo passou a fabricar aguardente. No Piauí a lavoura de cana vem de 1678. Em 1692, já havia um engenho em atividade no Rio Grande do Norte. A região nordestina, representada principalmente por Pernambuco, Bahia, Alagoas e Paraíba, simbolizava o luxo. Reinava a riqueza porque a monocultura da agro-indústria açucareira pagava todos os custos e cobria todas as necessidades da Capitania.
O açúcar revelou o Brasil ao mundo e, por outro lado, despertou a cobiça holandesa.
A invasão holandesa (1624-1654) primeiramente na Bahia, de onde foram expulsos em 1625 e posteriormente em Pernambuco, Maranhão e Sergipe, tumultuou o processo produtivo mas não prejudicou a produção açucareira no Brasil. Basta dizer as exportações entre 1637 e 1645 atingiram cifras admiráveis.
Enquanto isso na região Sul as capitanias de São Tome (Rio de Janeiro) e São Vicente (São Paulo) mais distantes da metrópole e portanto dos portos europeus ficaram com suas lavouras sem a importância que a facilidade de exportação nordestina dava as daquela região. Conseqüentemente a produção açucareira do Sul se desenvolvia com muito mais lentidão. Esta situação causou uma prosperidade a Capitania de Pernambuco muito superior as do Sul por mais de um século. Tal prosperidade só começou a declinar, quando após a expulsão dos holandeses do Brasil (1654), estes levaram para as Antilhas, principalmente para Suriname, as técnicas e ensinamentos práticos aqui obtidos, copiando o modelo brasileiro em todos os detalhes, e ali produzindo açúcar, que passou a fazer terrível concorrência com o produto brasileiro, pois alem de capital e técnica, dispunham os holandeses de um bem montado esquema de distribuição do produto, alem da vantagem de maior proximidade da Europa. Os holandeses sempre foram grandes comerciantes de açúcar, chegando a quase monopolizar o comercio europeu deste produto, dai o forte esquema de distribuição e conhecimento de mercado que dispunham. Além de iniciar a produção nas Antilhas, os holandeses se aliaram a produtores estabelecidos nas Colônias Inglesas e Francesas da América Central, fornecendo-lhes ajuda técnica e financeira. Em pouco tempo aquela região transformou-se em grande produtora, aproveitando da proximidade do mercado europeu, facilitando e barateando o transporte. Com essa concorrência, o nosso açúcar perdeu o seu principal mercado e o Brasil deixou de ser o principal produtor mundial. A situação tornou-se especialmente delicada em 1690, com a escassez de moeda metálica, toda drenada para Portugal, e a partir de 1694, quando a descoberta das minas de ouro atraíram a mão de obra agrícola de Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro. O baixo nível de trabalho agrícola prolongou-se no norte no início do “rush” mineiro ate 1775. Quase um século de vendas reduzidas, evolução lenta, trabalho descontente e os senhores de engenhos empenhados aos comissários.
Pode-se dizer que este período marcou a primeira grande crise na industria açucareira no Brasil e configurou o inicio da complexidade da atividade açucareira dependente do comportamento da produção e do mercado mundial.
Foi em 1775 que a situação mudou, trazendo novas esperanças. A guerra de independência dos Estados Unidos (1775/1776) privou a Inglaterra de seu habitual mercado tropical da América e o Brasil passou a suprir esta falta. Por outro lado a produção das Antilhas e da América Central foi seriamente prejudicada por agitações políticas e conflitos sociais que levaram a independência das Colônias européias nessas regiões. Nesta época, os holandeses já não dominavam o comercio de açúcar que havia crescido bastante. Os produtores brasileiros souberam aproveitar esta oportunidade. Na segunda metade do século XVIII, voltaram a ser os maiores produtores mundiais de açúcar, ampliando suas atividades, surgindo engenhos, criando novos empregos, e devolvendo o bem estar e o progresso as áreas açucareiras no nordeste, com reflexo em todo o pais.
A recuperação da industria açucareira nacional nesta época, foi beneficiada também, por acontecimentos históricos, Tais como a abertura dos portos em 1808 e a independência em 1822, mas não teve longa duração, pois o setor continuava a ser prejudicado por velhos problemas, como o baixo nível técnico de produção, e a distancia dos principais centros consumidores.
Em 1802-1814, teve inicio na Europa, sob o estimulo de Napoleão Bonaparte, o processo de um cientista alemão que produzia açúcar de uma variedade de beterraba (doce). Na primeira metade do século XIX houve uma significativa expansão do cultivo de beterraba na Europa e no Estados Unidos para a produção de açúcar. Este processo e mais dispendioso do que o da cana, mas a beterraba permite a produção de açúcar em clima frio, onde a cana não pode ser cultivada. Como resultante dessa nova produção o Brasil perdeu sua liderança da produção mundial. Esse declínio acentuou-se no final do século XIX e toda economia açucareira entrou em crise. Buscou-se a saída para a crise no mercado interno, mas na época este mercado ainda era fraco pois alem de pouco numeroso, a população tinha uma reduzida capacidade de consumo.
Com a independência do Brasil em 1822, imediatamente a industria açucareira brasileira incorporou inovações importantes ao seu melhor desempenho: surge o engenho a vapor como a inovação do inicio do século XIX. Diga-se de passagem que a industria de açúcar no Brasil, durante toda a sua historia, atravessou várias fases de modernização e, neste aspecto, é justo acentuar a característica dessa industria em absorver rápida e aceleradamente as inovações tecnológicas surgidas, incorporando-as ao seu patrimônio. A utilização do vapor, e portanto maior complexidade industrial, fez com que os engenhos passassem a ser realmente mais complexos e atualizados para a época. Isto ocorreu entre 1830 e 1870. Neste período ocorreram muitas outras inovações tecnológicas importantes que marcaram grande desenvolvimento na industria açucareira.
Em 1870 acontece no mundo uma revolução tecnológica e, no Brasil, a aristocracia do Império – os senhores de engenhos – lançaram-se avidamente em busca dessas inovações. Essa revolução tecnológica se caracteriza pela importância da ferrovia, e o consorcio ferrovia – industria. Os engenhos passam a construir e também a utilizar a ferrovia nos transportes das canas, permitindo expandir seu âmbito territorial. Surge também o aparecimento da empresa comercial conjugada com a industrial, ou seja, o surgimento da agro-indústria estruturada, onde a comercialização passa a ser tarefa da empresa. O industrial passou a atuar na agricultura, na industria e na comercialização. Nesta fase aparecem unidades maiores de produção e acelera uma concentração. Os engenhos mais fortes eliminam com mais facilidades os seus concorrentes, determinando a redução do numero global, ao mesmo tempo que efetivam o aumento de produção. Dentro desta revolução tecnológica, procedeu-se a uma procura de padronização do produto para atender as necessidades das massas urbanas emergentes tratando-se da época do crescimento urbano no mundo Ocidental, do crescimento das cidades e da facilidade de atingir um maior numero de consumidores nessas cidades.
Na época da abolição da escravatura (1888), os engenhos já tinham incorporado praticamente todas as inovações importantes da industria do açúcar existentes na época em qualquer parte do mundo, e com a abolição, passou a dispor de recursos financeiros que antes eram destinados a compra e manutenção de escravos. A partir dai surge uma nova etapa na industria açucareira brasileira, com o aparecimento dos chamados “Engenhos Centrais”, precursores das atuais Usinas de Açúcar.
Em 12 de setembro de 1877, surge um novo marco de desenvolvimento da industria de açúcar no pais: Inaugurava-se na então Província do Rio de Janeiro, o primeiro Engenho Central do Brasil. O Engenho Central de Quissamã, destacando de um lado o fornecimento de matéria prima pelo agricultor, e do outro o processamento industrial, em amplas e modernas aparelhagens de tecnologia aperfeiçoadas para melhor rendimento.
Progressivamente grandes engenhos se transformavam em usinas, ativando a participação capitalista e industrial, reduzindo as engenhocas, os engenhos, os banguezeiros, a meros fornecedores de cana.
Devido a uma serie de fatores que acarretaram o quase desaparecimento do açúcar brasileiro do mercado internacional, levou o governo brasileiro a adotar uma política de proteção da agro-indústria canavieira, como antes fizera outros países. A grande crise mundial de 1929 acelerou este processo e, em 1933, com esta finalidade, foi criado o Instituto do Açúcar e Álcool (IAA). Assim a partir da fundação desta instituição, o setor açucareiro do Brasil passou a obedecer as regras de uma economia dirigida. Esta fase durou ate marco de 1990, quando o governo do então presidente Collor extinguiu o IAA e transferiu algumas de suas atribuições a Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR), permanecendo o setor sob controle do governo quanto a suas diretrizes básicas.
Finalmente, não se pode falar sobre a agro-indústria açucareira no Brasil, deixando a margem, sua legislação especifica. Assim, desde os tempos das capitanias hereditárias ate 1931, mais precisamente ate a criação da Comissão de Defesa da Produção de Açúcar (CDPA), e do Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), em 1933, a legislação especifica sobre a atividade canavieira-açucareira, recebeu notoriedade através de numerosa mas dispersa documentação, dando marca da presença do Estado na coordenação na disciplina da complexa atividade agro-industrial, constituindo acervo do qual podem ser referidos como os principais instrumentos legais geradores do sistema açucareiro no Brasil, os seguintes abaixo relacionados:
1. O Regimento do Governador Tome de Souza; O Regimento do Provedor Mor da Fazenda do Brasil; O Regimento dos Provedores da Fazenda do Brasil. Todos expedidos na data de 17 de dezembro de 1548.
2. A Provisão datada de 1 de novembro de 1681 determinando providencias para a montagem de engenhos de açúcar e proibindo a instalação de fabricas do gênero em distancia menores que 1500 braças umas das outras.
3. A Carta Regia de 17 de janeiro de 1697 dispondo sobre os preços do açúcar.
4. O Regimento datado de 1 de abril de 1751, criando as Casas de Inspeção do Brasil.
5. O Alvará de 13 de Maio de 1802, determinando que não se construíssem novos engenhos de açúcar no Brasil sem previa licença do Governador da Capitania, etc…
6. Lei de 5 de novembro de 1827, que extinguiu as mesas de inspeção do açúcar.
7. Lei de 13 de novembro de 1827, que declara livre a qualquer pessoa levantar engenhos de açúcar em suas terras sem depender de licença previa.
A partir de então, foram adotadas apenas medidas casuísticas, e de emergência, ate 1931, quando o decreto numero 20761 de 1931 criou a Comissão de Defesa da Produção Açucareira e logo depois os decretos números 22789 e 22981 ambos de 1933 criou o Instituto de Açúcar e Álcool (IAA).
Foi a partir dessa época que se institucionalizou o regime de economia dirigida no setor açucareiro nacional e surge uma tão numerosa documentação, que ate os mais íntimos do setor não constituía tarefa fácil o seu domínio, chegando a ser sugerido, como uma das conclusões do primeiro encontro Nacional dos Produtores de Açúcar (1971-Campos/RJ) a seguinte sugestão feita ao governo: “Tendo em vista a copiosa e diversificada legislação açucareira promulgada a partir de 01/06/1933, quando foi criado o IAA, abrangendo um período de 40 anos (…) elaborar anteprojeto de lei visando a consolidação e a atualização da legislação disciplinadora da agro-indústria canavieira, sob seus múltiplos aspectos, etc.,etc.”. Para não tornar extremamente longa esta parte segue-se os títulos dentre os mais importantes da criação do IAA ate recentemente:
1. Decreto 22789 e 22981 de 01/06/33: Criou o IAA.
2. Decreto 1831 de 04/09/39: Fixa preceitos disciplinares das safras, da circulação do produto com destaque dos contigentes definidos como intra-limites e os considerados como extra-limites com tratamento fiscal diferenciado.
3. Decreto lei 3855 de 21/11/41: Promulgou o estatuto da lavoura canavieira.
4. Decreto lei 4722 de 22/09/42: Declara a industria alcooleira de interesse Nacional e da outras providencias.
5. Decreto lei 4733 de 23/09/42: Conferiu competência ao IAA para fixar cotas de fornecimento de cana.
6. Decreto lei 9827 de 10/09/46: Instituiu novas regras sobre o sistema de contingenciamento da produção.
7. Decreto lei 25174-A de 03/07/48: adota medidas de estimulo a produção alcooleira para fins carburantes.
8. Lei 4071 de 15/06/62: Dispõe sobre pagamento de canas.
9. Lei 4870 de 01/12/65: Dispõe sobre o regime de cotas mensais de produção, etc.
10. Lei 5654 de 14/05/71: Dispõe sobre a produção açucareira no país, etc.
11. Decreto lei 1186 de 27/08/71: Institui estímulos a fusão, incorporação e relocalização de usinas, com a finalidade de propiciar a modernização do parque industrial, estabelecendo que a relocalização deve ficar condicionada a cota mínima de 400 mil sacos.
12. Decreto lei 1266 de 26/04/73: Dispõe sobre o fundo especial de exportação criado pela lei 4870 de 01/12/65.
13. 1985: Criado o Pro-Álcool: Programa destinado a produzir álcool para fins carburante.
14. Ato IAA numero 55/83 de 18/10/83: Estabelece regras para o pagamento de cana pelo teor de sacarose no Estado de Pernambuco.
15. Ato IAA 48/83 de 27/09/83: Estabelece regras para o pagamento de cana pelo teor de sacarose no Estado de Alagoas.
16. Ato IAA 26/83 de 22/06/83: Estabelece regras para o pagamento de cana pelo teor de sacarose no Estado de Rio de Janeiro e Espirito Santo.
17. Ato IAA 13/83 e 32/89 de 21/04/83 e 28/08/89: Estabelece regras para o pagamento de cana pelo teor de sacarose no Estado de São Paulo.
18. Medida Provisória numero 154 de 15/03/90: Dentre outras providencias, extingue o IAA transferindo suas principais funções para a Secretaria do Desenvolvimento Regional.
1.3. Histórico da Agro-Indústria Açucareira no Estado do Rio de Janeiro
A partir de 1534 o território do Brasil foi dividido em capitanias hereditárias. Ainda que este sistema tenha fracassado, dois aspectos marcantes são assinalados pelos historiadores como resultado do seu esforço colonizador:
(1) Foram lançados as bases para a ocupação efetiva da terra
(2) A implantação da lavoura canavieira.
A maior parte da região do atual Estado do Rio de Janeiro, compunha a capitania de São Tome que coube ao donatário Pero de Gois da Silveira.
Tão logo chegou a sua capitania, Pero de Gois fundou uma vila, iniciou o cultivo da cana e a instalação de um engenho para a fabricação de açúcar. Fixou-se ao norte da Capitania, nas proximidades do atual rio Itabapoana, onde fracassaram suas duas tentativas de produzir cana de açúcar, a primeira em 1539 e a segunda em 1545. Desanimado do empreendimento cedeu ao seu filho Gil de Gois que também fracassou em nova tentativa realizada em 1619, frente aos mesmos obstáculos, a resistência oposta pelos indígenas da região. Os Gois renunciaram a Capitania a favor da Coroa de Portugal, neste mesmo ano.
Ha quem registre datar da época de Pero de Gois a introdução da cana e o levantamento do primeiro engenho de cana do Estado do Rio de Janeiro, mesmo tendo este empreendimento vida curta. A seguir, registra-se a implantação do cultivo da cana de açúcar no Rio de Janeiro, só em 1565, desta vez, na região da baixada, próximo a cidade do Rio de Janeiro. Neste local, ate o final do século XVI, a lavoura da cana iniciada nas terras próximos do mar, penetrou para o interior. Sendo o primeiro engenho a funcionar nessa área, o do General Salvador Corrêa de Sá e Benevides, que funcionou a partir de 1636 e constituindo o primeiro engenho que operou continuamente no Estado do Rio de Janeiro. Muitas engenhocas surgiram nesta região, desde Niterói ate Maricá, Magé, Parati, Angra dos Reis, Saquarema e Cabo Frio.
Nos Primeiro anos do século XVII, os navios que partiam do Rio de Janeiro para Lisboa, iam carregados de açúcar e aguardente.
Em 19 de agosto de 1627, na vigência do Governo Geral, sete capitães (Miguel Aires Maudonado; Gonçalo Correia; Duarte Correia; Antônio Pinto; João de Castilho; Manoel Corrêa e Miguel Riscado) conseguiram por sesmarias, todas as terras localizadas entre os rios Macaé e o Cabo de São Tomé. Em 24 de dezembro de 1632, os sete capitães chegaram ao Cabo de São Tomé na primeira viagem de exploração. Um ano seguinte fizeram a segunda viagem e iniciaram a repartição das terras entre eles e iniciaram a criação de gado. Lentamente progrediram os campos onde os sete capitães só cuidaram da criação de gado.
Em 1647 assumiu o cargo de Governador da Capitania do Rio de Janeiro o General Salvador Corrêa de Sá e Benevides, que tão logo soube da excelência das terras doadas aos capitães, grande parte do município de Campos dos Goytacazes, por ela se interessou a tal ponto que forcou por pressão de sua autoridade, os sete capitães a assinarem uma escritura de composição em 09/03/1748 pela qual o território anteriormente doado ficava dividido em doze partes das quais três para o próprio Governador. A partilha ficou assim, quatro e meia partes para os sete capitães e seus herdeiros; três para o General Governador; Três para os padres da companhia; Uma parte para o Capitão Pedro de Sousa Pereira e meia parte para os frades de São Bento.
O Governador estabeleceu então o seu morgado na sua parte e levantou um engenho no local hoje conhecido como fazenda do Visconde, em 1650, sendo este o primeiro engenho da região norte do Estado. Dentro de pouco tempo os canaviais cobriam suas terras.
Em poucos anos, com a concessão de sesmarias e o afloramento das terras do morgado, começaram a surgir engenhos por toda parte desta região. Assim, somente nos meados do século XVII a lavoura de cana conseguiu proliferar na região norte do Estado.
Em 1748, Campos exportava para o Rio de Janeiro e Bahia, 15600 cabeças de gado bovina, 3000 de cavalar, 85000 alqueires de farinha e alguns milhares de caixas de açúcar.
No final do século XVIII, Campos exportou dos seus 300 engenhos mais de 50.000 caixas de açúcar de 50 arrobas cada uma.
A evolução numérica dos engenhos, nesta época pode ser assim avaliado:
Quadro 1: Evolução do Número de Engenhos no Estado do Rio de Janeiro
1737 34 engenhos
1750 50 engenhos
1769 55 engenhos
1778 113 engenhos
1783 278 engenhos
1819 400 engenhos
1828 700 engenhos
Fonte: IAA
A Vila de Campos fundada em 1652, destruída em 1672, reconstruída em 1676, foi elevada a categoria de cidade em 1835.
No século XIX, a industria do açúcar toma um grande surto. Não cresce muito o numero de engenhos nos municípios de Campos, São João da Barra e Macaé, de 400 em 1820, não é mais que 500 em 1875, mas as fabricas melhoram muito em seus mecanismos.
Em 12 de setembro de 1877, é inaugurado o engenho central de Quissamã, um marco na historia açucareira do Brasil. Em 1878 começou a funcionar a usina de Barcelos. Em 1883 foi iniciado a construção de uma usina na localidade chamada Airises, de nome Nossa Senhora das Dores e que funcionou ate 1931. Em 1879/80, foi instalado o engenho central do Limão. Em 8 de julho de 1881, foi inaugurado o engenho central de Cupim. Ainda neste ano foi inaugurado o engenho Figueira, mas não constituía um engenho central. Em 1883, era fundada a usina do Colégio e neste mesmo ano foi inauguradas a usina de São José e o engenho central de Mineiros. A usina Santa Cruz foi inaugurada em 4 de agosto de 1885. A usina Santo Antônio foi inaugurada em 17 de agosto de 1885. Ainda em 1885 foi fundada a usina de Sapucaia e Pedra Lisa.
O final do século XIX é o marco do surgimento de grande numero de usinas no norte do Estado.
A usina não é diversa estruturalmente do engenho a vapor. Difere no grau de concentração e especialização, porque passa a caracterizar-se rigidamente como uma fábrica de açúcar, introduzindo a diversificação radical entre fabricantes e fornecedores, os usineiros e plantadores. Cria portanto duas categorias de interesses conflitantes. Neste momento, como efeito social do surgimento das usinas desaparece a classe dos senhores de engenho e em seu lugar já num contexto de industria capitalista, surge o usineiro, num processo de deslocamento onde as usinas compram engenhos no interesse das terras, para assegurar-se de matéria prima, fazendo com que os senhores de engenho passem a ser administradores, subordinados a usina ou administradores de propriedades rurais compradas, quando não se mudam para cidade assumindo profissões urbanas. Assim, com o surgimento da usina, eliminou-se a classe dos senhores de engenho e criou-se uma camada de fornecedores, formada por proprietários rurais e arrendatários.
Chega-se ao século XX cuja primeira metade não é muito feliz, marcada pela primeira Grande Guerra (1914-1918), pela grande crise mundial de superprodução e recessão de 1929 e segunda Grande Guerra (1940-1945).
Em 1906 dava-se conta da importância da pesquisa e experimentação, criando-se sob campanha dos usineiros, duas Estações Experimentais de Cana de Açúcar no pais, nos dois estados maiores produtores de suas regiões, Pernambuco e Rio de Janeiro. A Estação Experimental do Rio de Janeiro foi instalada em Campos em 1914. Dos trabalhos nelas desenvolvidos, notabilizaram-se as famosas variedades CB (Campos Brasil) dentre as quais, a mais notável e plantada por todo território Nacional a CB 45-3. Destacou-se neste trabalho a contribuição do engenheiro Frederico da Veiga.
A crise mundial, decorrente do colapso da economia americana em 1929, afetou seriamente a industria canavieira nacional no inicio da década de 30, acarretando a intervenção estatal no setor, através da criação da Comissão de Defesa da Produção Açucareira em 1931 e o Instituto do Álcool e do Açúcar em 1933.
As usinas do Estado do Rio, sentiram fortemente os efeitos da crise e apesar de terem produzido cerca de 2 milhões de sacos de 60 quilos (120.000 toneladas métricas) a miséria era geral, com muitas fabricas fechando e outras, em processo de falência, se consolidando. Em Campos, com uma população em 1930 de 260.000 habitantes, tudo dependia da industria açucareira.
Dentre as providencias praticas e imediatas do governo para minorizar a crise, citam-se: A adoção de regimes de cotas de produção e comercialização para as usinas e promulgação do decreto 19717 de 20 de fevereiro de 1931, com o objetivo de promover a utilização de álcool para fins carburantes, tornou obrigatória a mistura de álcool (etanol) com a gasolina importada na proporção mínima de 5 por cento. Desde essa ocasião ate a criação do Pro-Álcool em 1975, o álcool foi usado como combustível misturado a gasolina, em índices de variavam de acordo com a disponibilidade de excedentes de cana de açúcar.
Em 1930 eram seguintes as usinas existentes no Rio de Janeiro:
Quadro 2: Usinas do Estado do Rio de Janeiro em 1930.
Usina Produtos Cap. TDC
Abadia açúcar e álcool 582
Barcelos açúcar e álcool —
Cambaíba açúcar e álcool 928
Carapebus açúcar e álcool 759
Cupim açúcar e álcool 700
Conceição açúcar e álcool 700
Laranjeiras açúcar e álcool 600
Mineiros açúcar 360
N.Horizonte açúcar/álcool/aguard. 650
Outeiro açúcar e álcool 250
Paraíso açúcar 521
Pureza açúcar/álcool/aguard. 600
Poço Gordo açúcar 500
Queimado açúcar e álcool 500
Quissamã açúcar e álcool 800
Rio Preto açúcar/aguard. 1.200
Sapucaia açúcar/álcool/aguard. 200
Sant’Anna açúcar e álcool 450
Santo Amaro açúcar 260
Sto.Antonio açúcar e aguard. 450
Santa Cruz açúcar e álcool 430
Sta.Isabel açúcar e álcool 700
São João açúcar e álcool 150
São José açúcar e álcool 650
Sta.Maria açúcar/álcool/aguard. 1.000
São Pedro açúcar/álcool/aguard. 300
Sta.Luiza açúcar 300
Thai açúcar/aguard. 200
Porto Real açúcar e álcool 400
Cabiúnas açúcar e aguard. —
N.S.Dores açúcar 240
D.C.Campos aguard. 250
Obs.: TCD = toneladas de canas por dia.
Fonte: Anuário Açucareiro de 1935, pág.146, 147 e 148.
Em 20 de setembro de 1934 foi fundado pelos usineiros o Sindicato da Industria do Açúcar nos Estados do Rio de Janeiro e Espirito Santo, e em 24 de agosto de 1943, a Cooperativa Fluminense dos Usineiros Ltda. O primeiro, que atualmente se chama Sindicato da Industria e da Refinação do Estado do Rio de Janeiro e Espirito Santo, encontra-se hoje em estado de dissolução, pois em assembléia realizada em fevereiro de 1994, os poucos usineiros que ainda contribuíram para a manutenção do sindicato se desligaram oficialmente, encontrando-se hoje a entidade simbolicamente mantida por uma junta administrativa de funcionários. A Cooperativa que em dado momento passou a se chamar Cooperativa Fluminense dos Produtores de Açúcar e Álcool Ltda., COPERFLU, foi extinta em 1986, após relevantes serviços prestados ao setor regional.
No período de 1925 a 1935, a produção de açúcar do Rio de Janeiro registrou os seguintes valores:
Quadro 3: Produção de Açúcar do Rio de Janeiro de 1925 a 1935
Safra / Sacos 60Kg / Sacos 50Kg / Toneladas
25/26 861.070 1.033.284 51.674,20
26/27 - 1.467.800 1.761.360 88.068,00
27/28 1.177.385 1.412.862 70.643,10
28/29 807.434 968.921 48.446,04
29/30 2.102.019 2.522.423 126.121,14
30/31 1.345.297 1.614.356 80.717,82
31/32 1.705.700 2.046.840 102.342,00
32/33 1.486.209 1.783.451 89.172,54
33/34 1.767.259 2.120.711 106.035,54
34/35 1.828.932 2.194.718 109.735,92
Fonte: Anuário Açucareiro de 1935, pág. 145.
A produção de álcool só apresenta estatística confiável a partir de 1930; O mesmo acontecendo para canas moídas a partir da safra de 1929/30.
Quadro 4: Produção de Álcool – RJ – 1930/34
Safra Álcool (m3)
30/31 9.316,890
31/32 8.605,848
32/33 8.543,354
33/34 9.032,532
Fonte: Anuário Açucareiro de 1935, pág. 145
Quadro 5: Cana Moída – RJ – 1929/34
Safra Cana moída (t)
29/30 1.401.346
30/31 896.864
31/32 1.137.133
32/33 990.806
33/34 1.178.172
Fonte: Anuário Açucareiro de 1935, pág. 145
Como se pode observar pelo quadro da produção de açúcar, em pleno ano de crise mundial, o Estado do Rio batia o recorde mundial do decênio 25/35. É de se imaginar o terrível quadro decorrente disto.
Nesta época o Estado do Rio ocupava a segunda posição dentre os maiores produtores do Brasil (primeiro Pernambuco) e era o primeiro da região Centro Sul.
Na década de 40, São Paulo passa a superar a produção do Estado do Rio e dai para os nossos dias, o Rio de Janeiro vem perdendo gradualmente posição para outras regiões.
Ainda na década de 40 surge algumas entidades de extrema importância para os produtores de cana do Rio de Janeiro. Em 18/01/41, a Cooperativa de Credito dos Lavradores de Cana de Açúcar do Estado do Rio de Janeiro Ltda. (COOPERCREDI) e em 24/10/45 o Sindicato Agrícola de Campos, que a partir de 07/05/87 foi transformado na Associação Fluminense dos Plantadores de Cana.
A segunda metade do século XX trouxe grandes progressos para a agro-indústria açucareira, que inevitavelmente também chegou ao Estado do Rio de Janeiro.
Na atividade agrícola, foram fantásticos os progressos alcançados. Na colheita da cana, mudanças radicais ocorreram, o embarque das canas passou a ser totalmente mecanizada, e no transporte foram abandonadas as ferrovias e os carros de bois, passando a imperar as carretas puxadas a trator e caminhões cada vez mais adaptados as distancias percorridas. Essas mudanças passaram a ocorrer mais aceleradamente de 1960/65. Para se ter uma idéia da velocidade com que o quadro se modificou, são significativos os seguintes dados: em 1950, haviam 432 quilômetros de estrada de ferro servindo as usinas que dispunham de 65 locomotivas e 1384 vagões. Em 1975 só existiam 99 quilômetros de estrada de ferro, 29 locomotivas e 535 vagões ou grades; Em 1979, 16 quilômetros de ferrovia, 18 locomotivas e 357 vagões ou grades; Em 1985 praticamente já não mais se dispunham desses elementos na atividade canavieira do Estado. Hoje o transporte de canas e feito exclusivamente por meio rodoviário. Um outro marco importante na área agrícola do século XX foi a introdução do trator, que trouxe uma incomensurável contribuição para todas as operações do cultivo da cana, eliminando completamente a presença do carro de boi. Os campos reservados a pastos desses bois de serviço, transformaram-se rapidamente em canaviais.
Na área industrial, também ocorreram grandes inovações em equipamentos e técnicas, chegando a um produto da melhor qualidade.
Gradativamente, a partir de 1930, a produção do setor canavieiro-açucareiro de Estado do Rio de Janeiro veio crescendo, superando intervalos difíceis de crises, não só das de efeito de causas externas como das regionais motivadas por fatores climáticos adversos, ou mesmos de quedas de preços e conseqüente desestímulos aos produtores locais. Contudo, a região sempre honrou seu papel de grande produtora nacional, fazendo-se presente em todos os momentos de participação nacional. Exemplo disto, ocorreu em 1975, quando do lançamento do Pro-Álcool o Estado do Rio de Janeiro elevou substancialmente a sua produção de álcool, contribuindo para o programa, sem oscilar sua produção de açúcar.
Quadro 6: Cana Moída, Açúcar, Álcool Produzidos e Área Colhida – RJ
1965/66 a 1981/82
Safra Cana (t) Açúcar(50Kg) Álcool m3 Área colhida
65/66 5.296.069 9.568.814 53.213 —
66/67 4.536.155 8.783.106 47.926 —
67/68 4.986.998 9.837.824 49.462 135.636
68/69 3.964.465 7.624.968 32.764 134.771
69/70 4.478.009 9.278.586 36.203 142.244
70/71 5.398.086 9.749.161 44.421 144.372
71/72 5.061.029 8.866.752 42.581 —
72/73 6.270.627 11.201.733 47.256 177.600
73/74 6.873.025 12.213.262 58.838 —
74/75 5.566.073 10.249.234 48.769 —
75/76 6.384.253 10.813.737 55.162 —
76/77 5.300.669 7.726.895 43.826 —
77/78 7.401.418 11.775.179 95.078 —
78/79 6.842.859 11.364.295 132.909 —
79/80 7.191.044 10.121.178 139.537 194.137
80/81 6.603.775 8.665.230 29.842 197.582
81/82 7.091.450 9.452.389 153.897 197.386 (*)
Fonte: Relatório do Departamento Técnico da COPERFLU 82/83 – Revista da Safra
Obs.: (*) O valor 197.386 refere-se a área colhida da safra de 1982.
Deve-se ressaltar a grande contribuição histórica registrada na década de 70. Iniciou a década com uma total restruturação no parque industrial do parque açucareiro no Estado do Rio de Janeiro em função do decreto lei 1186 de 27/08/71 através do qual o governo concedeu estimulo a processos de fusão, incorporação e relocalização de usinas com a finalidade de propiciar a modernização do parque industrial. Nesta ocasião a maioria das usinas se atualizaram através de projetos parciais, chegando algumas a se projetarem em completamente novas unidades. Esta restruturação atingiu apenas o setor industrial.
Em 1974 em conseqüência da participação de técnicos locais no XV Congresso Internacional da ISSCT (International Society of Sugar Cane Technologists), pela COPERFLU, uma serie de inovações tecnológicas de grande repercussão no aperfeiçoamento da tecnologia local foram introduzidas acarretando melhorias na extração do caldo nas moendas, na clarificação e decantação do caldo e no tratamento do magma, acarretando açúcar de melhor qualidade.
Nesta década foram promovidos, em Campos, importantes eventos técnico-culturais, tais como a série de Encontros Nacionais, organizadas pela Cooperflu que tiveram forte repercussão Nacional. Foi criado a Assembléia de Técnicos Açucareiro da COPERFLU, e também Programa Nacional de Melhoramento da Cana de Açúcar (PLANALSUCAR) sob a tutela do IAA, instalado em Campos numa área cedida pela usina São José na estrada Campos – São Gonçalo (Goytacazes). Lamentavelmente nesta época também foi extinta a antiga Estação Experimental de Cana de Açúcar cujas instalações foram cedidas para PESAGRO — RIO e EMATER. Ainda nesta década foi que se deu inicio efetivamente a pratica expressiva de adubarão e inicio de irrigação nos canaviais do Norte Fluminense. Após 1975, com o aumento de produção de álcool passou-se a pesquisar e mais tarde a aplicar a utilização da ferti-irrigação com o vinhoto diluído em áreas recomendáveis.
Como se pode observar, fatos de extrema importância e de alterações de praticas tradicionais foram introduzidas na década de 70 ou a partir dela, portando um época de grande conteúdo de contribuição para o setor regional canavieiro – açucareiro do Estado do Rio.
A década de 80 iniciado ainda sob as promessas da década anterior, a partir da segunda metade iniciou um terrível processo de depressão no agro-indústria açucareira do Rio de Janeiro. Com o crescente endividamento das usinas que optaram pelas grandes reformas a partir de 1971/72, pelo efeito da macro desvalorização do cruzeiro perante o dólar, sobre empréstimos feitos por estas usinas para aquelas reformas, pelo resultados operacionais em função do descompasso entre a capacidade de moagem das usinas superdimencionadas para o oferta disponível, pela queda dos preços do açúcar, pelo precário sistema administrativo a nível gerencial das usinas e suas organizações, e pela falta de apoio a etapa estratégia de reestruturação do setor na época – a imediata e ampla aplicação do processo de irrigação nas lavouras de cana. Essas causas podem ser acolhidas como aquelas principais para a situação drástica das finanças das maiorias das usinas que no final da década de 80 praticamente já não se sustentava.
O quadro 7 mostra o acompanhamento do numero de usinas ao longo do seu principal período histórico.
Quadro 7: Usinas do Estado do Rio de Janeiro de 1930 a 1995
Usina \ Ano 30 45 55 65 75 85 90 95
Abadia Ab Ab ? ? - - - -
Barcelos Ba Ba Ba Ba Ba Ba Ba Ba
Cambaíba Ca Ca Ca Ca Ca Ca Ca Ca
Carapebus Cr Cr Cr Cr Cr Cr Cr Cr
Cupi Cp Cp Cp Cp Cp Cp Cp Cp
Conceição Co Co Co Co Co Co Co Co
Laranjeiras La La La La - - - -
Mineiros Mi Mi Mi Mi - - - -
N.S.das Dores NS - - - - - - -
N.Horizonte NH NH NH NH NH NH
Paraíso Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa
Pureza Pu Pu Pu Pu Pu Pu Pu Pu
Poço Gordo PG PG PG PG - - - -
Porto Real PR PR PR PR - - - -
Queimado Qu Qu Qu Qu Qu Qu Qu -
Quissamã Qi Qi Qi Qi Qi Qi Qi Qi
Rio Preto RP ? - - - - - -
Sant’Anna sa ? - - - - - -
Santo Amaro SA SA SA SA SA SA SA SA
Santo Antonio An An An An An - - -
Santa Cruz SC SC SC SC SC SC SC SC
Santa Isabel SI SI SI SI - - - -
São João SJ SJ SJ SJ SJ SJ SJ SJ
São José sj sj sj sj sj sj sj sj
Santa Maria SM SM SM SM SM SM - -
São Pedro SP SP SP SP - - - -
Santa Luiza SL SL SL SL - - - -
Sapucaia S S S S S S S S
Thai Ta - - - - - - -
Tanguá Tg Tg Tg Tg - - - -
D.C.Campos DC DC DC DC - - - -
D. Agrisa - - - - DA DA DA DA
Fonte: Anuário Açucareiro de 1935 e Relatórios do Departamento Técnico
Industrial da COPERFLU.
Obs.: “-” fechou.
“?” ano de fechamento aproximado.
Na safra 95/96, estão em produção no estado do Rio de Janeiro as seguintes unidades produtoras (quadro 8):
Quadro 8: Usinas do Estado do Rio de Janeiro na Safra 95/96
UP Abreviatura
1. Barcelos Ba
2. Cambaíba Ca
3. Carapebus Cr
4. Cupi Cp
5. Paraíso Pa
6. Pureza Pu
7. Quissamã Qi
8. Santa Cruz SC
9. Santo Amaro SA
10. São João SJ
11. São José sj
12. Sapucaia S
13. Dest. Agrisa DA
Fonte: Pesquisa junto a usinas.
No total de 13 unidades produzindo açúcar das quais 12 também produzem álcool (Carapebus não produz álcool),e uma destilaria autônoma a qual, obviamente, só produz álcool.
1.4. Denominação e Conceito da Agro-Indústria Açucareira
O conceito da chamada “agro-indústria açucareira”, pode parecer claro nesta mais usual denominação atribuído aos setores de produção da cana e do açúcar da economia brasileira. Entretanto, na realidade, necessita tal termo de algumas considerações adicionais para melhor entendimento.
O termo “agro-indústria” tem conotação de agricultura associada a industria. Ou seja, o produto agrícola é transferido para a industria transformar em produto acabado ou semi-acabado.
A expressão “agro-indústria açucareira” sugere indicar a produção industrial de açúcar, seus sub-produtos, derivados e resíduos, a partir de uma matéria prima de natureza agrícola – uma planta, mas, não define qual planta.
Ate o momento atual, a produção mundial de açúcar é obtida a partir de somente dois vegetais. São matérias primas para açúcar, a cana de açúcar e a beterraba doce.
São plantas botanicamente bem distintas, resultando economias diferenciadas das atividades.
Assim, a rigor, ao se eleger uma denominação que, por si só, melhor conceitue a atividade canavieira-açucareira como um todo, torna-se importante ser mencionado o nome da planta matéria prima, pois dependendo de qual das duas atividades se trate, podem apresentar diferenças marcantes, exigindo tratamentos específicos, apesar do produto final (açúcar) ser o mesmo.
Embora, quimicamente, existir um só produto final, o açúcar, economicamente existem duas atividades, uma a partir da cana de açúcar, e outra a partir da beterraba, cada uma obedecendo a características próprias de processo de produção (agrícola e industrial), de custos, de preços, de áreas geográficas de ocupação e influencia, aptidão climática, sub-produtos, mercado, etc.
Por outro lado, atualmente, existem quatro linhas importantes de produção de açúcar com base na cana como matéria prima (quadro 8), podendo este quadro vir a se ampliar futuramente, dependendo da viabilidade econômica das alcoolquímicas em função do comportamento dos preços do petróleo.
Quadro 9: Linhas de Produção (a partir da cana.)
(1) cana -> açúcar + (melaço)
(2) cana -> açúcar + (melaço) + álcool de melaço
(3) cana -> açúcar + (melaço) + (álcool de melaço) + álc. direto do caldo de cana
(4) cana -> álcool direto do caldo
Obs.: (I) Entre parênteses figuram os sub-produtos decorrentes da produção do açúcar
(II) As linhas (1),(2) e (3) são processadas em instalações globalmente denominadas usi-nas de açúcar e usinas de açúcar com destilarias anexas. A linha (4) só em destilarias autônomas.
Portanto, os termos “Agro-indústria açucareira” ou “Agro-indústria canavieira” não conceituam devidamente o setor, um por omitir a planta matéria prima, o outro por omitir qual o produto final principal gerador da renda que paga todas as contas do setor global. São formas simplificadas, de usos só justificáveis pelos técnicos, e pessoal do setor.
Conceitualmente, no mais amplo significado, abrangendo a economia da produção do açúcar, seus sub-produtos, derivados e resíduos, a partir da cana de açúcar, a denominação “Agro-indústria açucareira da cana de açúcar”, expressa melhor o titulo deste complexo setor da economia brasileira.
A partir de 1975, com a criação do Pró-Álcool (Programa Nacional do Álcool), com o objetivo de produção de álcool para fins carburante com conseqüente economia na importação de petróleo, o álcool assumiu um papel de produto final em determinada linha de processamento da cana, conforme mostrado na linha (4) do quadro 9, fato que leva o titulo do setor, para torna-lo mais completo e atual, a seguinte expressão: “Agro-indústria açucareira/alcooleira da cana de açúcar”.
Para efeito de praticidade, será adotada nesta monografia, as denominações simplificadas de “agro-indústria açucareira” ou “agro-indústria canavieira” como sinônimos e com o conceito pleno exposto.
1.5. O Ambiente da Agro-Industrial Açucareira e o Processo de Fabricação do Açúcar
Da descoberta do Brasil ate o século XIX, o ambiente da agro-indústria açucareira desenvolveu-se, no segmento agrícola, em torno da casa grande dos fazendeiros que gozaram de grandes prestígios, e dos canaviais que circundavam as fazendas.
No segmento industrial, em torno da casa grande, dos senhores do engenho, figura central da sociedade rural daquela época, e das instalações fabris onde se fabricava o açúcar, o álcool ou aguardente, melado, rapadura, etc. Tais conjuntos recebiam o nome geral de “Engenhos de Açúcar”. Mais tarde por volta de 1870, transformados em “Engenhos Centrais” e logo em seguida em “Usinas de Açúcar” que persistem ate hoje.
As denominações dos engenhos se diferenciavam pela forma de condução da moagem das canas. Os que usavam da forca humana para promover a moagem das canas chamavam-se “Engenhos Quebra-Peito”, pois não era raro tal tipos de acidentes a escravos que cumpriam essas tarefas. Os engenhos movidos a tração animal (bois, cavalo…) eram chamados de “trapiches”. Os Engenhos movidos a água se classificavam em três tipos, quando a água atingia o ponto superior da roda d’água, chamavam-se “Copeiros”, quando a água atingia a parte do meio, chamavam-se “Semi-copeiros ou Covilhetes” e quando a água chegava por baixo da roda, recebiam o nome de “Rasteiros”. Após o uso do vapor, os engenhos assim dotados chamavam-se “Engenhos a vapor”. No nordeste, o termo “Bangues” significava engenhos de modo geral, para todos os tipos. Aos engenhos em funcionamentos, costumavam-se dizer “Engenhos moentes-correntes” e quando não mais funcionava dizia-se “Engenhos fogo-morto”.
Nos engenhos produziam os seguintes tipos de açúcar, que poderiam ser, secos ou melados: Purgado, mascado ou de retame e um de pior qualidade, chamado açúcar de rampa, que era embalado ainda morno e melado.
Hoje, o ambiente agrícola deixou de contar com as casas grandes, que são conservadas em algumas fazendas como relíquias, aqui e ali, em estado de deterioração. Raras são conservadas habitáveis. Os proprietários atuais, de modo geral moram em cidades próximas as fazendas, e com as facilidades das vias e dos meios de transporte de hoje, quando não freqüentam diariamente as propriedades vão em períodos de dias curtos. Os canaviais constituem hoje, o ambiente rural pontilhados por uma serie de equipamentos, maquinas, tratores, etc., substituindo aquele quadro antigo, onde predominavam os rústicos equipamentos de tração animal, a famosa carroça de boi e etc.
Na época dos engenhos, o processo de fabricação de açúcar obedecia as seguintes operações:
As canas trazidas pelos carros de bois ou no lombo de burros eram logo levadas para as pequenas moendas de madeira. O caldo recolhido em grandes tanques era levado para as caldeiras para ser cozido a fogo direto. Em seguida depois de limpo o material seguia para os tachos de cobre onde era engrossado e batido. Levado para casa de purga, o melado era posto em forma de barro, madeira ou ferro, que colocadas sobre tábuas furadas deixavam escorrer o mel que podia ser aproveitado para a fabricação do açúcar de retame ou para a destilação de aguardente em alambiques de cobre. Escorrido o mel das formas, ajuntava-se barro para branquear o açúcar. Os pães de açúcar, deste modo preparado, eram posto em seguida para secar ao sol. Produzia-se assim o tipo inferior de açúcar mascavo ou de retamo. Um açúcar ainda de pior qualidade era produzido, principalmente nos bangues de Alagoas – o açúcar de rampa – que nem era purgado; o melado saindo do ultimo tacho em ponto semi-líquido passava por uma rampa de cimento onde era batido e esfriado; ainda morno este açúcar era posto em sacos e assim mesmo transportado em carros de boi.
Atualmente, na área industrial, as construções mais modernas das usinas dão inicio ao ambiente industrial que segue pelas destilarias de álcool, refinarias de açúcar e empacotadoras de açúcar. Os tipos de açúcar hoje produzidos são:
I. açúcar bruto: demeraro (raw sugar)
II. açúcar cristal: standard, superior, especial e especial extra.
III. açúcar refinado: amorfo e granulado (fine granulated)
Os tipos I e II são produzidos nas usinas; o tipo III nas refinarias, constituindo um tipo de açúcar mais higiênico e mais indicado para o consumo humano. Mesmo não tão qualificado para o consumo humano, os do tipo II ainda são comercializados para este fim.
O processo atual de fabricação de açúcar é o seguinte:
Nas usinas, a cana é moída em grandes rolos de moendas de ferro, sob grande pressão, sendo extraído o caldo que é clarificado com cal e gás sulfuroso, aquecido e concentrado em evaporados de múltiplo efeito ate consistência de xarope, seguindo-se o cozimento do xarope ate transformar-se em massa cozida, e a cristalização do açúcar em cristalizadores e a separação do açúcar em centrifugas de alta rotação, finalizando com a secagem em secadores e a embalagem normalmente em sacos de 50 Kg. É o açúcar cristal. Durante o processo de clarificação do caldo, resulta um lodo na etapa de decantação que por filtração produz uma torta denominada torta do filtro que é usada em adubarão nos canaviais. O bagaço separado nas moendas é usado como combustível nas caldeiras onde se produzir vapor, que vai ser usado para movimentar maquinas e produzir aquecimento. O mel final separado do açúcar, chamado melaço, é matéria prima para fabricação de álcool via destilação nas destilarias, geralmente anexas as usinas.
Nas destilarias, o melaço ou caldo são fermentados produzindo álcool.
Nas refinarias, o acurar demerara ou cristal, são dissolvidos com água, a solução é clarificados, o açúcar é recristalizado, centrifugado, secado e embalado sem contato externo, em alto grau de automatização e higiene. É o açúcar refinado.
Nas empacotadoras, o açúcar cristal especial ou especial extra são peneirados, opcionalmente moídos, repeneirados e embalados. Os transportadores e peneiras são focos de contaminações, e o próprio manuseio do produto entre o armazém e a empacotadora pode influir na sua qualidade. Ha quem use açúcar superior para este fim.
1.6. O Complexo Industrial Instalado e Sua Preservação
A questão econômica fundamental da agro-indústria açucareira reside nos seus preços e no nível de remuneração permitida pela economia dirigida do setor para fazer frente aos custos de produção e a satisfação dos produtores. Sendo o preço desses produtos no Brasil estabelecidos pelo governo, o capitulo de remuneração fica restrito a discussão dos critérios adotados para a formação desses preços. O presente trabalho não cuida deste tema, que precede a qualquer estudo de viabilidade e preservação da atividade. Foi considerado, como premissa, que os preços atuais permitem a operacionalidade da atividade na região Norte Fluminense. Desta forma, passou a se constituir principal aspecto da agro-indústria açucareira do Rio de Janeiro o abastecimento pleno de canas requeridos pelas capacidades instaladas de moagens das usinas, durante o período de produção da safra.
O presente trabalho cuida realizar uma analise conjuntural da agro industria açucareira na atualidade focalizando a problemática do setor regional sob seus principais aspectos.
A atual problemática do agro-indústria açucareira do Estado do Rio de Janeiro pode se decompor em três vetores: O primeiro representa o complexo industrial instalado e cuida da sua preservação; o outro, representa a comercialização da produção e cuida da sua participação estratégica-comercial permanente no abastecimento do mercado consumidor; e o terceiro, diz respeito a pesquisa, desenvolvimento tecnológico, difusão de tecnologia e extensionismo rural.
Sobre o primeiro vetor, o desenrolar dos acontecimentos nesse principio da década de noventa leva a se prever um encaminhamento de reflexos sociais indesejáveis e nocivos para a região, tendo em vista a conjuntura depressiva que vive o setor, num período histórico marcado pela falta de lideranças capazes de promover a união da classe empresarial mais do que nunca necessária no momento para se colocar a produção de cana e açúcar no seu devido valor de importante componente da renda regional e da sua estabilidade social.
Dos meados da década de 80 vem ocorrendo uma verdadeira transformação no panorama canavieiro-açucareiro no Estado do Rio de Janeiro. Basta dizer que neste período encerraram atividades usinas de grande, médio e pequeno porte, tais como Outeiro, Queimado, Novo Horizonte e Conceição e cerca de 5 outras estão em tal situação de baixa produção em relação as suas potencialidades que estão criando uma expectativa de se repetir em um futuro breve novos desfeixos igualmente trágicos. O fechamento de industrias numa região cujo setor é de potencialidade crescente, como será demostrada adiante, e num pais subdesenvolvido ou em desenvolvimento não é só uma incoerência como também uma tragédia digna da interferência política-governamental a seu favor tendo em vista que são milhões de reais para não dizer dólares de investimento de deixam de gerar produção, emprego, renda e bem estar social. Tal situação representa milhares de desemprego, preocupante desequilíbrio social e estado de apreensão da população, principalmente quando não se imagina nem se dispõe de nenhuma outra atividade capaz de substituir tal investimento em produção que possa tranqüilizar a vida local e de todo Estado.
Fechar uma usina, encerrar uma industria do peso de contribuição social como é a da agro-indústria açucareira, que emprega grande numero de trabalhadores da classe de mão de obra primaria e causa tanta mão de obra indireta especializada é um verdadeiro desastre econômico que deve ser evitado a todos os esforços. Esta é a base da presente tese.
2. A PROBLEMÁTICA DA AGRO-INDÚSTRIA AÇUCAREIRA
2.1. Análise da Demanda e Oferta de Canas
No principio da década de 70 iniciou na Região Norte Fluminense uma disputa de canas entre usinas, ainda situado a níveis suportáveis e administráveis. Com o processo de modernização e ampliação das usinas, a partir 1974, a situação de falta de cana e conseqüente disputa de matéria prima entre as usinas desta região foi se agravando e repercutindo gravemente sobre os seus resultados econômicos e financeiros, gerando endividamento crescente, menores receitas e perda de patrimônio.
O quadro 10 mostra, numericamente, a grandeza da ampliação da capacidade de moagem das usinas do Estado do Rio de Janeiro:
Quadro 10: Capacidade de moagem das usinas do Norte do Estado do Rio de Janeiro – TCD (toneladas de canas por dia de moagem)
Usinas 70/71 74/80 90/94
Barcelos 2.400 5.000 5.000
Cambaíba 2.200 3.500 9.000
Carapebus 1.300 3.600 3.600
Cupi 2.000 5.000 5.000
Paraíso 1.400 5.000 6.000
Pureza 1.200 1.200 1.200
Quissamã 1.600 3.000 3.000
Sta. Cruz 2.400 4.000 6.500
Sto. Amaro 1.200 6.000 6.000
São João 3.000 3.500 8.000
São José 3.800 10.000 10.000
Sapucaia 2.000 6.000 10.000 *
TOTAL-NF
Agrisa 24.500
— 55.800
2.800 74.300
2.800
TOTAL-RJ 24.500 58.600 77.100
Obs.: 1. Fonte: Usinas./RJ
2. (*) A usina São José dispõe de dois conjuntos de moendas, uma de 4.000 TCD e outra de 12.000 TCD, totalizando 16.000 TCD. No quadro foi considerado apenas 10.000 por ser o limite de produção da fábrica. Mais adiante serão feitas considerações usando a capacidade de 10.000 e 12.000 TCD de modo que se tenha a influencia dessa usina na composição da demanda potencial sob esse dois aspectos.
Portanto, o parque industrial tornou-se de uma safra para outra, dotado de grande ociosidade, que pode ser medido pelo tempo de paralisação da usinas por falta de cana em relação ao tempo total de paradas e ao tempo total da safra, realçando que, antes das reformas, portanto antes de 74 não havia este item na composição do tempo parado das fabricas.
Quadro 11: Tempo perdido de produção de algumas usinas do Norte Fluminense
USINA 77/78 78/79
I II I II
Cambaíba 39,11 14,54 53,73 26,02
N. Horizonte 53,35 31,96 77,98 33,42
56,72 27,83 72,85 27,55
Paraíso 47,06 25,33 32,76 23,12
Pureza 72,90 27,21 88,69 18,78
Santa Cruz 32,88 41,90 — —
Santo Amaro 46,64 21,42 40,66 25,55
São João 34,92 23,68 34,41 12,75
Conceição 49,77 29,48 47,15 31,51
Fonte: Relatório do Departamento Técnico Industrial da COPERFLU
Obs.: I – Tempo perdido por falta de cana por cento do tempo total perdido.
II – Tempo perdido por cento do tempo total de safra (o tempo perdido não inclui paradas para limpeza e feriados).
De safra para safra, de usina para usina, os números indicativos do tempo perdido por falta de cana variavam muito abrangendo de 10 por cento a 25 por cento do tempo total de safra, havendo caso ate bem mais do que os mostrados no quadro 11. Pode-se avaliar o quanto representa de perda de produção o nível de 1/4 do tempo total da safra de paradas e da descontinuidade acarretada no processo de fabricação causando baixo rendimentos industriais e conseqüente prejuízos na produção e receita das usinas.
Com tal situação, as usinas passaram a disputar as canas entre si, fato muito facilitado pela interpenetração das áreas de influencias de abastecimento de cana das usinas, localizadas próximas uma das outras no Norte Fluminense. Paralelamente ao desgaste das usinas de subsidiar as canas dos fornecedores, num processo de concorrência estabelecido, o governo manteve forte compressão sobre os preços da cana e do açúcar durante a maior parte na década de 80 durante os planos econômicos sucessivos que ocorreram só vindo a repor as perdas em 1993. Esses planos econômicos não observaram a característica de sazonalidade da agricultura de modo geral, e muito particularmente da agro-indústria açucareira, e com isso muito castigaram esta atividade, que assumiu terrível cenário somado aos problemas locais do Estado do Rio de Janeiro, muito atingindo os produtores locais. Basta dizer que ate as entidades de classes entraram em estado de crise financeira que mantém-se ate hoje.
A elevação dos juros na atual política econômica descobriu o setor que produz em seis meses e comercializa em doze, tendo o setor industrial que arcar com os custos de produção, particularmente a da matéria prima (cana) a qual é paga a vista (15 dias) e que é concentrada por forca de abastecimento preferencial dos fornecedores obedecendo a melhor época de maturação de cana na região, em três meses – julho, agosto e setembro. Uma situação difícil: a concorrência na compra da matéria prima assumindo custos adicionais, as condições avessas da economia nacional e política de preços do setor, e no âmbito local, fatores climáticos adversos.
Ao se implantar pós 74, a ampliação das usinas, levantou-se na região, pelas lideranças então ativas do setor, campanha de pressão sobre o governo para a introdução da técnica de irrigação na região, sob financiamento governamental, face ao grande custo do empreendimento fora do alcance do poder aquisitivo do empresariado. Chegou a ser feito um grande programa (PROJIR) para irrigação dos canaviais da região Norte Fluminense. Tendo em vista os bons resultados locais com experimentos de irrigação realizados tanto por usineiros quanto por fornecedores, ficando demonstrado o retorno do investimento, o desinteresse do governo trouxe grande frustração para o setor regional. A irrigação seria a solução para resolver o problema criado com a ampliação da indústria.
Quadro 12: Irrigação de Cana
Regiões Cana (T/ha/mês)
irrig. Açúcar (T/ha/mês)
não irrig.
Hawai 12,0 9,0
AF. Sul 12,0 9,0
Mauritius 11,0 8,5
N. Flum. — 4,8
Fonte: Publicação do II Encontro Nacional dos Produtores de Açúcar.
Campos, 1974. Pág.160.
Quadro 13: Cana Irrigada – Experimentos no Norte Fluminense (cana planta)
Fazenda Irrigada Não irrigada Tipo cana
T/ha T/ha/mês T/h T/ha/mês
Airizes 90,0 7,2 27,0 2,0 CB45-3
Degredo 101,0 7,5 71,0 4,4 CB45-3
Thai 110,0 7,3 36,0 2,0 CP51-22
Baronesa 153,6 — 82,8 — CB-45-3
Baronesa 129,7 — 77,4 — CP51-22
Baronesa 130,0 — 65,1 — NA56-79
Partido 170,3 — 66,5 — CB45-3
Partido 150,0 — 62,7 — CP51-22
Partido 153,5 — 71,6 — NA56-79
Fonte: Anais do II Congresso Nacional da Sociedade de Técnicos Açucareiros do
Brasil – Vol.III/IV. Pág.388
Quadro 14: Produção de Açúcar com e sem irrigação no Norte Fluminense
Fazenda Irrig.
T/ha Não irrig.
T/h Tipo
N.Flum. — 4,8
Baronesa 23,59 13,28 CB-45-3
Baronesa 21,18 13,27 CP51-22
Baronesa 18,75 10,97 NA56-79
Partido 24,17 10,88 CB45-3
Partido 23,83 10,12 CP51-22
Partido 25,50 12,06 NA56-79
Fonte: Açúcar e Álcool: Base de Solução para Crise Brasileira
(VII Encontro Nacional dos Produtores de Açúcar e
Álcool – 1979. Pág. 67)
Sob tal panorama, vem resistindo as usinas do Norte Fluminense, umas em melhores situações do que outras.
Dessa forma encaminha-se o setor açucareiro Norte Fluminense nas seguintes perspectivas: Ou se fecham várias usinas até que a demanda de cana se equilibre com a oferta, ou se associam usinas em busca de tal equilíbrio, ou eleva-se a produção de cana, e neste caso, através da ampliação da área plantada (crescimento horizontal), ou através da elevação da produção de cana por hectare plantado através de técnicas e procedimentos mais corretos e modernos (crescimento vertical), e, ou através de ambos.
Não resta menor dúvida que a tese pelo aumento de produção é a mais aconselhável e que se deveria perseguir, em função do parque industrial já instalado.
O período de safra da industria açucareira é o intervalo de tempo durante o qual se produz e se comercializa a produção.
No Estado do Rio de Janeiro este período de safra vai de maio a abril, sendo que a produção se realiza entre maio e dezembro e a comercialização de maio a abril.
Há alguns anos o período de produção das usinas normalmente chegava a final de dezembro. Há quem diga que a produção das usinas já atravessou o mês de janeiro chegando ate fevereiro, caracterizando uma época de fartura de oferta de canas. Ultimamente, após a modernização do parque açucareiro (1974), o período de produção das usinas foi se situando até novembro, esticados seus períodos de produção não por fartura de cana, mas sim, por numeroso tempo perdido por falta de cana, isto é, deficiente abastecimento de cana para uma produção continua das usinas.
A definição do período apropriado para a produção é muito importante para a definição correta da capacidade de produção por safra do parque industrial açucareiro instalado. A capacidade de produção por safra é a grandeza que mede a dimensão da economia açucareira de uma usina ou de um região.
A Região Norte Fluminense apresenta condições de moagem tradicionalmente situada de junho a dezembro por força do período útil de industrialização da cana (PUI), que na região tem seu pico em julho, agosto, setembro e outubro. Na prática atual este período tem sido de maio a novembro, princípio de dezembro. Contudo, o período da safra no Norte Fluminense, conforme já ocorreu em outras épocas, pode alcançar dezembro, final de dezembro e ate mesmo janeiro e fevereiro.
Dentro dessas opções elaborou-se um quadro de hipóteses (quadro 15), para uma mais ampla avaliação da capacidade de produção por safra do parque industrial açucareiro da região, em termos de toneladas de canas moídas.
Quadro 15: Períodos de Safra – RJ
Hipóteses Período total de safra
A junho a outubro
B junho a novembro
C junho a dezembro
D junho a janeiro
E junho a fevereiro
X maio a outubro
Y maio a novembro
Z maio a dezembro
W maio a janeiro
F maio a fevereiro
Tendo em vista as considerações envolvendo os meses de safra, as paradas (obrigatórias) das usinas para feriados e limpezas, paradas por diversos motivos técnicos ou aleatórios, segue-se a composição do quadro que resume as hipóteses com os dias totais de safra, os dias efetivos de moagem e os dias perdidos por paradas diversas totais (quadro 16):
Quadro 16: Composição do Período de Safra – RJ
Hipóteses I II III IV
A 153 127 17 26
B 183 151 17 32
C 214 175 18 39
D 245 199 19 46
E 273 220 19 53
X 184 152 17 32
Y 214 176 18 38
Z 245 200 18 45
W 276 224 19 52
F 304 245 19 59
Fonte: Relatório do Departamento Técnico Industrial da
COPERFLU. Ed.1977/79 e 1978/79.
Obs.:
1. Definição dos ítens-colunas:
I – dias totais de safra
II – dias efetivos de moagem
III – tempo perdido por cento do tempo total de safra
IV – dias perdidos
2. Os dados acima foram retirados de informações de relatórios técnicos do balanço de tempo das usinas da região, sem considerar o tempo perdido por falta de cana. Algumas usinas já não param para limpezas, mas na composição do quadro acima ainda foi considerada o tempo de parada para limpeza.
Observa-se no quadro 16 que em termos de dias efetivos de moagem/safra as hipóteses: B=X, C=Y, D=Z e E=W, o que permite simplificá-lo para o seguinte quadro resultante (quadro 17):
Quadro 17: Hipóteses Adotadas para Período de Safra – RJ
Hipóteses I II III IV
A 153 127 17 26
B 183 151 17 32
C 214 175 18 39
D 245 199 19 46
E 273 220 19 53
F 304 245 19 59
Ainda que as hipóteses X,Y,Z e W continuem sendo validas para efeito dos períodos que representam, numericamente a coincidência do numero de dias de moagem por safra permitiu a simplificação feita que evitara repetições desnecessárias.
Convém lembrar que na construção do quadro 17 não foi considerado “tempo perdido por falta de cana”, pois isto é aspecto circunstancial que não cabe no calculo da capacidade de produção por safra, quando se parte da premissa de que ocorrem pleno e normal abastecimento nas moendas, dando condições de trabalho a toda carga. A perda de tempo por falta de cana é uma situação anormal que não cabe quando se calcula capacidade de produção instalada por safra.
Com a combinação do quadro de capacidade de moagem por dia (quadro 10) e o de dias efetivos de moagem por safra (quadro 17) resulta o quadro 18, onde escolheu-se três períodos referenciais: Safra 1970/71, pouco antes da modernização do parque industrial do Norte Fluminense (1974); outro de 1974/80, depois que a modernização já se concretizara; e outro 1990/94 mais atual, quando novos avanços foram encorporados, definindo a situação atual das usinas.
Quadro 18: Capacidade de Moagem (demanda) Instalada do Parque Industrial por safra em toneladas de cana moídas.
Hipóteses 70/71
(24500 TCD) 74/80
(55800 TDC) 90/94
(74300 TDC)
A 3.111.500 7.086.600 9.436.100
B 3.699.500 8.425.800 11.219.300
C 4.287.500 9.765.000 13.002.500
D 4.875.500 11.104.200 14.785.700
E 5.390.000 12.276.000 16.346.000
X 6.002.500 13.671.000 18.203.500
Fonte: Cálculo usando o quadro 10 e o quadro 17 (coluna 2)
Logo, a capacidade de moagem instalada, é apresentada no quadro 18 em função do numero de dias efetivos de moagem.
Verifica-se que após a modernização do parque industrial açucareiro do Norte Fluminense, a sua capacidade de moagem foi espetacularmente aumentada com possibilidade de reduzir o tempo que em 1970 levaria 245 dias efetivos de produção para moer 6.002.500 TC, para ate 127 dias conforme capacidade indicada para 74/80, de 7.086.600 TC. Na pratica, as safras continuaram relativamente longas, apesar da nova grande capacidade de moagem em relação a mesma oferta, contrariando o calculo teórico, devido a fatores de outras naturezas, tais como deficiência de transporte, deficiência de mão de obra e disputa de canas entres as usinas, resultando, em conseqüência grandes perdas de tempo de produção por falta de cana e o esticamento desnecessário da safra em tal situação.
Ainda pelo quadro 18, da capacidade de moagem instalada por safra, conclui-se que a safra de 70/71 necessitou pouco mais de 220 dias de moagem efetiva para ser realizada, processando as 5.398.050 TC colhidas na época (hipótese E). Já na safra de 80 não necessitaria mais do que 127 dias efetivos de moagem (hipótese A) para processar as 6.603.775 TC colhidas na safra 80/81.
É de extrema importância o valor da capacidade máxima instalada de moagem por safra obtida na hipótese F para 1990, cujo valor alcança 18.203.500 TC. Nota-se bem que é extremamente superior aos níveis de cana moída nas ultimas dez safras como mostra o quadro 19.
Quadro 19: Canas moídas e áreas colhidas nas últimas 10 safras – Usinas do Norte Fluminense
Safra Cana moída
(Toneladas) Área colhida
(hectares)
85/86 8.275.666 217.084
86/87 8.185.651 223.700
87/88 7.500.789 221.353
88/89 8.753.763 226.747
89/90 7.684.730 222.913
90/91 4.608.152 204.802
91/92 6.505.000 195.352
92/93 5.119.670 174.557
93/94 4.783.655 —
94/95 5.356.056 —
OBS.: 1. Dados referentes as usinas do Norte Fluminense, não incluindo as destilarias autônomas Agriza e Grumarim. A primeira por ficar fora da região NF e a segunda por ter funcionado poucas safras.
2. Fonte: SIRAERJES, IAA e Anuário Estatístico do IBGE.
3. Média (excluindo os fatores considerados atípicos das safras 90/91 e 93/94) é de 7.172.666 TC.
Portanto o potencial de moagem instalado por safra das usinas do Norte Fluminense é maior que o dobro da atual oferta de canas.
Não é necessário ser adivinho para concluir que, persistindo uma tal situação, certamente o parque industrial açucareiro do Norte Fluminense penetrara num clima de falência e conseqüentemente, de redução de usinas num futuro muito breve, se nada for feito para corrigir tal carência.
Assim, fica demostrado o panorama da demanda de canas para as atuais usinas da região Norte Fluminense.
Agora, torna-se necessário analisar o panorama da oferta desta matéria prima na região Norte Fluminense. Para este fim serão considerados três aspectos:
1. A produção histórica, de recentes safras, para estabelecer o nível atual da oferta
2. A potencialidade da produção sob perspectiva de seu incremento vertical.
3. A potencialidade da produção sob perspectiva de seu incremento através da ocupação de novas áreas viáveis dentro da disponível (crescimento horizontal).
O quadro da oferta histórica de canas das mais recentes safras, mostra que o nível de oferta média atual encontra-se em torno de 7.172.666 TC/safra. Este número define o primeiro aspecto citado.
O segundo aspecto necessita de algumas considerações.
Tendo-se como corretos os índices de incremento de produção de cana sobre procedimentos técnicos aplicados no quadro 20:
Quadro 20: Índices para Contribuição Vertical do Incremento de Produção de Canas
Técnica Percentagem de aumento da produção
cultivo adequado 5%
adubarão adequado 15%
melhoria de variedades 10%
irrigação 100%
TOTAL 130%
Fonte: Documento Técnico da Cooperativa de Credito dos
Lavradores de Cana de Açúcar do Rio de Janeiro Ltda.
Sabendo-se que tais técnicas são realizados na região Norte Fluminense abaixo do nível necessário ou adequado, ou seja, cultiva-se razoavelmente, aduba-se pouco, falta opções de novas variedades para as condições regionais dominantes e irriga-se quase nada, ao mesmo tempo em que, medir a contribuição destas praticas na região, ao nível em que são realizadas, trata-se de tarefa das mais difíceis, que exigiria um profundo e minucioso estudo pouco viável na pratica, então, cabe adotar um modelo baseado em hipóteses de percentuais globais de aumento de produção conforme o quadro 21.
Quadro 21: Hipóteses para Contribuição Vertical do Incremento de Produção de Canas no Norte Fluminense
Hipótese Incremento com técnicas adequadas
PESSIMISTA 25%
MODERADA 50%
OTIMISTA 100%
AMBICIOSA 120%
A hipótese AMBICIOSA resume uma situação igual aquela indicada no quadro 20 (130%) tendo em vista que já existe uma parte da produção que e tratada com a necessária adequação e outros aspectos aleatórios.
Sob tais considerações, o incremento da oferta de canas na Região Norte Fluminense, através de melhoria de práticas (sentido vertical de produção), sobre a atual oferta de 7.172.666 TC/safra conforme calculado antes, fica estabelecido no quadro 22.
Quadro 22: Valores da Contribuição Vertical Conforme Hipóteses Feitas
Hipótese Incremento vertical (TC/safra)
PESSIMISTA (25%) 1.793.167
MODERADA (50%) 3.586.333
OTIMISTA (100%) 7.172.666
AMBICIOSA (120%) 8.607.199
A última coluna do quadro 22 mostra as possibilidades da capacidade potencial de produção do Rio de Janeiro sobre as Hipóteses feitas.
Feita a analise da possibilidade de modificação do cenário de oferta de cana com base na atual área plantada e sua respectiva produção histórica, através de incremento vertical da produção de cana, resta prescutar a potencialidade da Região Norte Fluminense com relação a área viável para cana de açúcar, dentre a sua área disponível para agricultura – terceiro aspecto do panorama da oferta.
Em 1971, foi feito um levantamento sobre a situação das terras e seu uso agrícola no Norte Fluminense – documento que recebeu o nome de PROSUCAR e realizado pela FUNDENOR. Deste trabalho resultou o quadro 23.
Quadro 23: Distribuição de Áreas do Norte Fluminense em Hectares (ha)
Total Cultivada Dispon. Perc.(%) Viável
Baixada 196.638 70.870 125.768 80 100.614
Tabuleiro 279.893 55.880 224.013 60 134.407
Interior 887.977 33.420 854.557 20 170.917
Restinga 91.292 680 90.612 15 13.591
TOTAL 1.455.800 160.850 1.294.950 — 419.529
Fonte: PROSUCAR/FUNDENOR. Relatório Geral.voII, 1975. pág.6.
No inicio da década de 90 figurou um documento das classes produtoras de cana da região ao governo do Estado, solicitando solução para os problemas que atingem a região, uma nova distribuição numérica surgiu, conforme mostra o quadro 24.
Quadro 24: Distribuição de Áreas do Norte Fluminense em Hectares (ha)
Total Cultivada Dispon. Perc.(%) Viável
Baixada 196.638 100.000 96.638 80 77.310
Tabuleiro 279.893 90.000 189.893 60 113.936
Interior 887.977 30.000 857.977 15 128.696
Restinga 91.292 — 91.292 15 13.694
TOTAL 1.455.800 220.000 1.235.800 — 333.636
Fonte: Cooperativa de Crédito dos Lavradores de Cana de Açúcar do Rio de Janeiro.
Tendo em vista que o quadro 24 é de divulgação mais recente, de autoria de uma associação de classe, e portanto digno de crédito, será adotado para analise que seguirá.
Dos 333.636 ha viáveis para a plantação de cana de açúcar na região Norte Fluminense, será considerado aqui para efeito de calculo 300.000 ha, assumindo que só se consigam plantar com cana, devido a fatores aleatórios, as seguintes áreas conforme as hipóteses do quadro 25:
Quadro 25: Hipóteses da Contribuição Horizontal do Incremento de Produção de Cana no Norte Fluminense
Hipótese G 25% sobre 300.000 = 75.000 ha
Hipótese H 35% sobre 300.000 = 105.000 ha
Hipótese I 55% sobre 300.000 = 165.000 ha
Hipótese J 65% sobre 300.000 = 195.000 ha
A lavoura de cana é praticada no Norte Fluminense de modo extensivo, preocupando-se com resultados horizontais, usando-se terras muitas vezes de baixa fertilidade mas que não sendo nela plantada cana, nada melhor nela se produziria, sendo este um dos motivos dos baixo rendimentos agrícolas em TC/ha, freqüentemente questionado pelos técnicos da região. A forma do cultivo da cana em terras tão variadas torna o rendimento agrícola menos significativo para fins de analise técnica e comparativa, pois na região Norte Fluminense a cana ocupou lugares, substituindo alguma lavoura ou vegetações de menor valor, onde seus rendimentos agrícolas situam-se nos piores valores e onde, para melhorar, seriam necessários recursos acima das possibilidades dos produtores, geralmente pequenos produtores. O fato é que, mesmo com baixos rendimentos, estas áreas plantadas com cana ainda rendem mais do que com as culturas anteriores, geralmente pastos fracos, massegas sem produção, lavouras improdutivas de mandioca, etc. Portanto, estas áreas pouco produtivas com cana ainda geram mais riqueza do que como antes se encontravam e não se conhece outra experiência que tenha dado certo com outra atividade do que a da cana. Considerando este aspecto extensivo que conduz a expectativa de rendimento agrícola não muito promissor, nas condições de cultura atual, serão adotadas as seguintes hipóteses de rendimento agrícola (quadro 26):
Quadro 26: Hipóteses de Rendimento Agrícola para Novas Áreas Plantadas no Norte Fluminense
Hipótese K 35 t/ha
Hipótese L 40 t/ha
Hipótese M 45 t/ha
Hipótese N 50 t/ha
Hipótese O 55 t/ha
O resultado das combinações das hipótese G,H,I e J (quadro 25) com as hipóteses k,L,M,N,O (quadro 26), resulta o quadro de potencialidade da oferta de cana (TC/safra) do Norte Fluminense nas áreas existentes ainda não plantadas e consideradas viáveis para sua agricultura (quadro 27).
Quadro 27: Contribuição Horizontal do Incremento da Produção de Cana no Norte Fluminense
TC/safra
hipótese
G
H
I
J
75.000 ha 105.000 ha 165.000 ha 195.000 ha
K (35 T/ha) 2.625.000 3.675.000 5.775.000 6.825.000
L (40 T/ha) 3.000.000 4.200.000 6.600.000 7.800.000
M (45 T/ha) 3.375.000 4.725.000 7.425.000 8.775.000
N (50 T/ha) 3.750.000 5.250.000 8.250.000 9.750.000
O (55 T/ha) 4.125.000 5.775.000 9.075.000 10.725.000
Fonte: Combinação do quadro 25 e 26.
O novo panorama da oferta de cana, considerando a soma da produção atual, incremento vertical e incremento horizontal, segundo as hipóteses consideradas, equilibrara o panorama da demanda existente, considerada as variações de dias de safra nas hipóteses feitas, quando resultar em valor mínimo de 9.436.100 TC/safra (quadro 18: hipótese A = 127 dias efetivos de moagem) e máximo de 18.203.500 TC/safra (quadro 18: hipótese F = 245 dias de safra). Na verdade, quando o somatório oferta for superior ao mínimo de demanda exigida, haverá o equilíbrio necessário.
Verifica-se pelo quadro 27 que a potencialidade da oferta decorrente do incremento horizontal da produção de cana de açúcar em observância as considerações feitas e condições adotadas, somadas com a atual oferta de canas passa a atender a demanda mínima existente de 9.436.100, (hipótese A = 127 dias) a partir da combinação da hipóteses K-G, pois:
Oferta atual ——————–> 7.172.666 TC/safra
Incremento vertical mínimo -> 1.793.167 TC/safra (quadro 22)
Oferta horizontal mínima K-G 2.625.000 TC/safra (quadro 27)
Somatório da oferta ———-> 11.590.833 TC/safra
Numero que supera a demanda mínima calculada de 9.436.100 TC/safra correspondente a demanda de safra de 127 dias efetivos e 153 dias de safra total (quadro 18, hipótese A).
Quadro 28: Soma da Contribuição Vertical com Horizontal (TC)
Contribuição vertical
pessimista moderada otimista ambiciosa
1.793.167 3.586.333 7.172.666 8.607.199
horizontal
K-G 4.418.167 6.211.333 9.797.666 11.232.199
K-H 5.468.167 7.262.333 10.847.666 12.282.199
K-I 7.568.167 9.361.333 12.947.666 14.382.199
K-J 8.618.167 10.411.333 13.997.666 15.432.199
L-G 4.793.167 6.586.333 10.172.666 11.607.199
L-H 5.993.167 7.786.333 11.372.666 12.807.199
L-I 8.393.167 10.186.333 13.772.666 15.207.199
L-J 9.593.167 11.386.333 14.972.666 16.407.199
M-G 5.168.167 6.961.333 10.547.666 11.982.199
M-H 6.518.167 8.311.333 11.897.666 13.332.199
M-I 9.218.167 11.011.333 14.597.666 16.032.199
M-J 10.568.167 12.361.333 15.947.666 17.382.199
N-G 5.543.167 7.336.333 10.922.666 12.357.199
N-H 7.043.167 8.836.333 12.422.666 13.857.199
N-I 10.043.167 11.836.333 15.422.666 16.857.199
N-J 11.543.167 13.336.333 16.922.666 18.357.199
O-G 5.918.167 7.711.333 11.297.666 12.372.199
O-H 7.568.167 9.361.333 12.947.666 14.382.199
O-I 10.868.167 12.661.333 16.247.666 17.682.199
O-J 12.518.167 14.311.333 17.897.666 19.332.199
Fonte: Combinação do quadro 22 e do quadro 27.
2.2. A Questão do Mercado do Açúcar
Quanto ao segundo vetor da problemática do setor açucareiro do Estado do Rio de Janeiro – preservação de mercado – coloca-se a questão sob a tese da evolução qualitativa do parque industrial açucareiro da região em todos os sentidos e principalmente no que diz respeito a produção de açúcar de qualidade ascendente na escalada de preservação do mercado consumidor e da própria estrutura do setor regional.
O Estado do Rio de Janeiro localiza-se na chamada região centro sul açucareira e o seu mercado compreende o próprio Estado do Rio, Espirito Santo, Minas Gerais e o Sul da Bahia, ocorrendo eventualmente comercialização também para outros Estados do Centro-Sul.
Quadro 29: Mercado do Açúcar – Região Centro Sul
Indústria 40%
Consumo direto 60%
refinado 37%
cristal 23%
c. direto 60%
Total (indústria+c.direto) 100%
Fonte: COPERSUCAR
O segmento comércio, no qual o produto é diretamente destinado ao consumidor final, representa 60 % do mercado com o tipo refinado respondendo por 37 % e o cristal por 23 % do consumo global.
Com participação de 40% do segmento consumo industrial, o setor de refrigerante é o mais importante do mercado seguidos pelos de chocolates, balas e confeitos, conforme o quadro 30.
Quadro 30: Consumo Industrial de Açúcar – Região Centro Sul
Refrigerantes 40%
Chocolates, balas e confeitos 31,5%
Alimentos 10%
Panificação 5%
Vinhos 3%
Outros 10,5%
Total 100%
Fonte: COPERSUCAR.
Ao contrário do que se observa nos países desenvolvidos, o consumo de açúcar através de produtos industrializados é ainda baixo no Brasil, representado não mais do que 40% do consumo total, como foi mostrado.
A par de ser o açúcar um importante alimento energético para a população, observa-se que o seu consumo no Brasil tem se mantido estável, apesar do crescimento populacional. (quadro 31)
Quadro 31: Consumo de Açúcar – (mercado interno) – em mil toneladas
80/81 5,7
81/82 5,4
82/83 5,8
83/84 5,1
84/85 5,7
85/86 4,9
86/87 6,1
87/88 5,6
88/89 5,8
Fonte: IAA
Os tipos de açúcar no Brasil são os seguintes:
I – Tipo bruto:…… demerara
…… mascavo
II – Tipo cristal….. standard
….. superior
….. especial
….. especial extra
III – Tipo refinado…. Almofo
…. Granulado
O tipo I é destinado exclusivamente para refinarias, para se transformar em açúcar refinado. É o tipo mais comum para exportação. O tipo II tem destino para refinarias (standard e superior), para industria (standard, superior, especial e especial extra) e para o consumo direto pela população de baixa renda (superior, especial e especial extra). O tipo III é o mais utilizado para o consumo humano, sendo o almofo o mais usado no Brasil para este fim.
A região açucareira do Estado do Rio de Janeiro situa-se numa região geográfica estrategicamente bem situada do ponto de vista de mercado, entre grandes centros consumidores ( Grande Rio, Rio de Janeiro, Vitoria, Belo Horizonte), o que tem facilitado a comercialização do açúcar produzido nas usinas do Norte Fluminense. Tal situação vem se mantendo, mas alguns aspectos são importantes para uma previsão sobre o futuro comportamento do mercado açucareiro da Região Centro Sul, face as estruturas que vem se montando por parte de outras áreas produtoras dentro da região Centro-Sul, e os efeitos decorrentes possíveis de afetar a comercialização do açúcar do Norte Fluminense.
Os movimentos estratégicos dos produtores dos Estados da região Centro-Sul poderão mudar a atual situação, muito provavelmente influindo sobre toda a composição de oferta do mercado, o que leva os estudiosos do setor a meditar sobre essas alterações e como afetarão a participação do Estado do Rio de Janeiro.
A principal característica das usinas do Estado do Rio de Janeiro perante o mercado, consiste em que só se produz um tipo de açúcar na região, o cristal.
Não existindo um controle de qualidade imparcial, nem do consumidor, não ha uma fiel relação entre a qualidade do açúcar declarado pelas usinas com a realidade das especificações oficiais existentes para os diversos níveis do tipo açúcar cristal, de modo a bem defini-lo em termos de produção das usinas. Na época do IAA e da COPERFLU dispunha-se de um certo controle e uma visão estatística confiável da realidade, fato que atualmente não se dispõe. Hoje, somente grandes firmas consumidoras controlam a qualidade do produto adquirido, muitas vezes impondo especificações próprias e selecionando a usina que melhor atenda seus requisitos. O açúcar de consumo não tem no consumidor outra especificação senão a visual. Sob este aspecto o açúcar cristal apresenta variações, que vai do amarelado ate o branco.
Existem industria que podem usar açúcar de qualidade inferior tais como fabricas de balas, doces e bebidas escuras. Portanto o mercado de açúcar cristal é de ampla abrangência de qualidade, existindo industrias pouco exigentes e muito exigentes, paralelamente ao consumidor que prefere pagar mais por um açúcar de melhor qualidade perante outros que optam por pagar menos por um produto de pior qualidade (aspecto). Com relação ao consumo direto pelo público pode ser questão de poder aquisitivo ou falta de opção, caso de cidades do interior ou de um comércio local restrito.
Um outro fato importante a considerar é que o Rio de Janeiro é um Estado importador, que não se auto abastece. Produz cerca de 350.000 Toneladas e consome cerca de 900.000 T. O complemento da oferta é feito pelo açúcar produzido em São Paulo. Verifica-se que o mercado de açúcar coberto pelo produto do Norte Fluminense é unicamente o de açúcar cristal (23 % do mercado de açúcar da região Centro Sul) e se desdobra em:
- Comércio de consumo direto
- Refinarias de açúcar
- Industrias diversas:
exigentes
não exigentes
Deduz-se que as usinas do Estado do Rio de Janeiro não participam do mercado de açúcar refinado que corresponde a 35% do mercado da região Centro-Sul.
A problemática do setor açucareiro do Estado do Rio de Janeiro do ponto de vista de mercado consiste das preocupações decorrentes da possibilidade de concorrência no mercado de açúcar cristal, face as seguintes considerações:
1. Até hoje, os produtores da Região Norte Fluminense não produzem refinarias capazes de fornecer ao mercado consumidor um tipo de açúcar de qualidade “refinado” que é o preferido pela fatia consumo direto. Preferiram a linha de produção do açúcar cristal empacotado em embalagens de 5 kg.
2. As refinarias existentes no Rio de Janeiro, pertencem a produtores de São Paulo ou independentes dos produtores de açúcar do Estado do Rio. Dessa forma as usinas do Rio de Janeiro ficam dependentes do consumo dessas refinarias, que não se identificam com os interesses dos produtores do Estado do Rio de Janeiro. Num momento de mercado restrito para o consumo direto e industrias, as usinas do Estado do Rio de Janeiro terão a disposição o mercado de refinarias para vender seu açúcar, dentre as quais aquelas paulistas que produzem açúcar cristal em São Paulo e podem dispensar o açúcar cristal do Rio de Janeiro, que nesta situação ficaria sem mercado. É uma situação extrema, mas não é necessária ser extrema, para abalar o comércio do açúcar do Norte Fluminense. Uma grande redução de mercada já abala profundamente a comercialização do açúcar das usinas do Norte Fluminense. A pergunta é, tal situação de grande redução de mercado pode ocorrer?
3. Como se sabe, após 1975, com o advento do PRÓ-ÁLCOOL foram criadas centenas de destilarias autônomas no pais – em torno de 250 na Região Centro-Sul. De 1975 a 1994, as destilarias autônomas passaram por momentos de euforias e crises, aspecto próprio do setor, e chegou-se a um estagio de compreensão generalizada da difícil sustentação econômica-estrutural destas destilarias, que vem conseguindo gradativamente a transformação em usinas de açúcar com destilarias anexas. Ocorrera, em conseqüência, o surgimento de uma produção de açúcar em todos os estado da região Centro-Sul, que passara a atender aos mercados locais onde antes não existia produção de açúcar, implicando isto numa redução de mercado de açúcar cristal, pois não se acredita nem tem noticia de investimentos imediatos para refinarias nestas destilarias. As destilarias autônomas se espalham por todos os Estados da região Centro Sul, Espirito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas, etc.
4. A melhoria dos padrões de poder aquisitivo da população, maior educação alimentar, melhor nível cultural, são fatores que influem sobre o consumo de açúcar no sentido de produto de melhor qualidade, principalmente sobre o aspecto higiênico, o qual sai vencedor o tipo refinado.
5. O fato de Norte Fluminense estar mais próximo do mercado do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia não impede que o produto de São Paulo chegue a estas regiões a preços competitivos com o produto do Norte Fluminense. Isto historicamente já ocorreu, lembramos que em 1965 e 1966 quando São Paulo de 27 milhões de sacos passou para 42 milhões de sacos de 60 kg, ofereceu ao mercado, em determinado momento, uma quantidade de açúcar acima da capacidade da demanda e estocagem. O IAA, naquela época, estabeleceu o preço do saco do açúcar em 12 cruzeiros e 18 centavos mas o próprio IAA foi obrigado a rever e modificar este preço para 10 cruzeiros e 18 centavos. Conseqüência do fato, e mesmo com o preço oficial do IAA para o açúcar, os produtores do Estado do Rio não obtiveram mais do que 7 cruzeiros por saco de 60 Kg (naquela época o saco de açúcar continha 60 Kg). Do ponto de vista da renda setorial, os produtores paulistas não tiveram qualquer prejuízo, multiplicaram os 42 milhões de sacos produzidos pelos 7 cruzeiros que o mercado permitiu e conseguiram do ponto de vista de renda setorial, uma renda equivalente ou superior a que tinham no ano anterior. O mesmo não ocorrendo com os produtores do Estado do Rio de Janeiro. Isto gerou uma crise tão grande no parque açucareiro, que quase levou a beira da falência e no período de 1965 e 1967, praticamente o açúcar foi vendido pela metade do preço da época.
6. Entre os Estados estrategicamente em condições de atender as demanda suplementar ou expandir produção para atender ao mercado interno, ou mesmo exportação, o paulista surge como prontamente dispõe de meios e instalações para uma resposta economicamente valida.
2.3. Pesquisa e Tecnologia
Sabe-se que a implantação de novas tecnologias, mais modernas, na organização dos canaviais em busca de otimização dos rendimentos agrícolas e industriais, procurando-se alcançar maiores índices de toneladas de açúcar por hectare, deverá necessariamente ser obtido através da pesquisa geradora do desenvolvimento tecnológico, acompanhado de um adequado serviço de extensão rural.
A pesquisa canavieira no Brasil, data do inicio do século, e foi implantada em decorrência de duas conferencias açucareiras nacionais, uma realizadas em 1905 no Recife (Pe), e outra em 1908 em Campos (RJ). Os produtores de cana de açúcar, naquela época, encaminharam um pleito ao Congresso Nacional e ao Executivo, no sentido de se introduzir escolas de agronomia e estações experimentais, a exemplo das que tinham encontrado no Oriente e nas Antilhas, onde uma comissão de produtores estivera em visita alguns anos antes. Daí resultou o decreto 8319 de 20 de Outubro de 1910 que criou uma estação experimental no Estado do Rio. Em 09 de novembro de 1913 foi inaugurada a Estação Experimental de Campos, que só passou a desenvolver atividades regulares a partir de 1916. Uma outra estação foi criada em Pernambuco, também em 1913.
A partir dessa época, Campos passou a dispor e contribuir para o melhoramento das variedades das canas de açúcar de maneira notável, fornecendo novas variedades que se espalharam por todo o Brasil. Na região Norte Fluminense ainda hoje predominam as famosas variedades CB (Campos – Brasil) dentre as quais a CB 45-3 mais se destacou na região.
Na década de 70, a Estação Experimental de Açúcar de Campos, foi desviada da sua principal finalidade, a cana de açúcar, e passou a se dedicar a lavoura de arroz, milho e feijão. Nesta época foi criado um programa, por iniciativa do IAA, denominado PLANALSUCAR, para dedicar a melhoria da cana de açúcar.
No princípio da década de 90 foi extinto o IAA e o PLANALSUCAR. Ficou a cana de açúcar sem o apoio da pesquisa e sem a esperança dos melhoramentos decorrentes. Os produtores da região, em pleno vigor do pagamento pelo teor de sacarose e pureza das canas ficaram sem opção de variedades novas para atender ao estimulo da nova forma de pagamento por qualidade da cana.
Negar a importância de uma estação experimental para pesquisa da cana de açúcar, numa região histórica e naturalmente desenvolvida sobre a cana de açúcar, que sempre constituiu a base econômica regional, em mais de 50% do seu PIB, é no mínimo irracional, quando não negar a contribuição da ciência, pesquisa e extensão ao progresso do século XX.
O conteúdo representado pelo vetor 3 da problemática atual da industria açucareira do Estado do Rio de Janeiro é exatamente o estado de abandono que, de repente, atingiu os produtores e toda a camada técnica açucareira do Estado, que após vários anos de experiência, e quando logo poderia ter resultados práticos, foi dispersada e desestimulada, abrindo um grande lacuna para o progresso e desenvolvimento.
Atualmente concentraram-se esperanças na melhoria desta situação, na presença das Universidades Rural e da UENF (Universidade Estadual do Norte Fluminense), para atender a pesquisa e melhoramento da cana de açúcar na região. Entretanto, não tem sido estimulante a historia financeira das Universidades no Brasil, além de constituir uma estrutura multi-direcional, onde a cana de açúcar será apenas mais um item de estudo, diferente de um centro especializado, como antes se dispunha.
3. MATERIAIS E MÉTODOS
O método adotado para a elaboração desta monografia foi de investigação na literatura existente sobre a cana de açúcar e a agro-indústria desta matéria prima no Rio de Janeiro, particularmente no Norte Fluminense, pesquisa de dados estatísticos e de maiores informações junto a técnicos das usinas e entidades de classe, compondo uma coleção de informações sobre as quais foi identificado os principais vetores componentes da atual problemática da agro-indústria açucareira, desenvolvida em três sentidos, sendo o principal, o da avaliação da demanda de canas baseado na capacidade instalada de moagem atual das usinas do Norte do Estado do Rio e a busca de hipóteses para o incremento da oferta desta matéria prima de modo a se equilibrar com a demanda existente, de tal modo que se consiga assim preservar o atual parque industrial instalado.
Assim, a metodologia se compôs de pesquisa bibliográfica, investigação sobre dados estatísticos e informações especificas pertinentes a problemática identificada e entrevistas com pessoal do setor para esclarecimentos complementares. Na confecção do trabalho observou-se método dedutivo sobre dados disponíveis do setor desenvolvendo hipóteses lógicas e exeqüíveis, da combinação das quais se chegou a conclusão.
O material utilizado teve como base livros, relatórios, boletins informativos, anais de congressos, documentos de entidades de classe, monografias, revistas especializadas, anuários estatísticos, todos abordando a agro-indústria açucareira.
Foram de substancial importância na contribuição básica para o desenvolvimento do tema os livros resultantes dos Encontros Nacional dos Produtores de Açúcar, realizados em Campos (RJ) na década de 70 e princípio de 80, a Coleção Prosucar da FUNDENOR e relatórios técnico-industriais da COPERFLU. Outras obras que forneceram subsídios importantes são citadas na bibliografia consultada.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.1. Equilíbrio da Demanda e Oferta do Parque Industrial Instalado no Norte Fluminense
Conforme o quadro da capacidade da moagem instalada por safra (quadro 18), e as hipóteses consideradas, o menor valor da demanda atualmente existente seria para 127 dias efetivos de moagem: 9.436.100 TC/safra. A maior demanda seria para 245 dias de moagem: 18.203.500 TC/safra. Assim sendo, pelo quadro de contribuição vertical e horizontal de incremento de cana por safra (quadro 28) e mais a quantidade de cana média atual de 7.172.666 TC/safra, verifica-se, como já foi demonstrado, que a combinação das hipóteses mais tímidas, consideradas exeqüíveis, preenche a menor demanda (127 dias = 9.436.100 TC/safra). A demanda para 151 dias efetivos de moagem, de 11.219.300 TC/safra ainda fica preenchida pela combinação das hipóteses mais tímidas que resultou numa oferta de 11.590.833 TC/safra. Portanto, para safras ate 150 dias efetivos de moagem as hipóteses G, que significa 25% de aumento de área plantada (sobre 300.000 ha), somados a hipótese K, que representa um rendimento agrícola de 35 TC/ha nesta nova área plantada, e a hipótese pessimista de incremento vertical de 25% sobre a atual quantidade de cana colhida (0,25 x 7.172.666 = 1.793.167 TC/safra), se alcançadas são suficientes para atender a demanda da atual capacidade de moagem instalada das usinas para safras de ate 150 dias efetivos de moagem. Tal moagem abrange o período de Junho a Novembro, que pode ser considerado um período ótimo de PUI (Período Útil de Industrialização da Cana) na Região Norte Fluminense. Com isto, o atual parque industrial já estaria preservado.
Para as safras maiores que 151 dias efetivos, haveria de ser necessário novas condições de oferta, representado pela combinação da hipótese K+I com a pessimista ou com a K+G com a moderada, satisfazendo condições mínimas de oferta.
K+I + pessimista = 7.568.167 TC/Safra
Oferta média atual = 7.172.666 TC/Safra
—————
Soma Oferta = 14.740.833 TC/Safra
Demanda p/175 DES = 13.002.500
————–
Diferença = + 1.738.333 TC/safra
Isso significa que pela hipótese I seria necessário um aumento de área plantada de 55% (0.55 x 300.000 = 165.000 ha) da área agrícola disponível, com rendimento agrícola, pela hipótese K, de 35 TC/ha e pela hipótese pessimista, um incremento vertical de 25% sobre a produção atual (0.25 x 7.172.666 = 1.793.167 TC/Safra)
O outro caso referido seria:
Hipótese K+G + moderada = 6.211.333 TC/safra
Oferta média atual = 7.172.666 TC/safra
————-
Soma da oferta = 13.383.999 TC/safra
Demanda 175 Dias Ef.Moag = 13.002.500 TC/safra
————-
Diferença 381.499 TC/safa
Sendo:
Hipótese G (25% sobre 300.000 ha viáveis) = 75.000 ha de área nova
Hipótese K = 35 TC/ha de rendimento agrícola para a nova área plantada referida em G.
Hipótese Moderada = 50 % de incremento vertical sobre a produção atual. (0.5 x 7.172.666 = 3.586.333 TC/safra)
Para o caso de satisfazer as hipóteses K, H e Moderada ter-se-ia:
Hipótese K+H+Moderada = 7.261.333 TC/safra
Oferta Média atual = 7.172.666
————-
Soma 14.433.999 TC/safra
Sendo:
Hipótese H = 35% incremento de área nova.
Hipótese K = 35 TC/ha de rendimento agrícola para área H
Hipótese Moderada = +50% de incremento vertical sobre produção atual.
Caso que preenche a demanda de ate 175 dias efetivos de safra, da mesma maneira que as duas combinações anteriores.
A combinação das hipóteses K+J+Pessimista, isto é, 65% de incremento de área nova plantada (hipótese J), 35 TC/ha para a nova área (hipótese K) e 25% sobre a produção atual de incremento vertical, permite:
K+J+ pessimista = 8.618.167
Oferta média atual = 7.172.666
————
Soma da Oferta = 15.790.833 TC/safra
O que preenche a demanda para 199 dias efetivos de moagem: 14.785.700 TC/safra.
As demandas para 220 e 245 dias efetivos de moagem, respectivamente 16.346.000 e 18.203.500 TC/safra exigiriam maiores esforços para a oferta cujos incrementos somados, vertical e horizontal, precisariam alcançar as cifras mínimas de 8.633.334 e 11.030.834, respectivamente, para que somados com a oferta atual de 7.172.666 TC/safra alcançassem essas demandas. Para tais casos o quadro indica todas as combinações em que figuram as hipóteses otimista e ambiciosa, e algumas das combinações com a hipótese pessimista e moderada. Dessas duas ultimas são validas as combinações:
L+J + Pessimista
M+I + Pessimista
M+J + Pessimista
N+I + Pessimista
N+J + Pessimista
O+I + Pessimista
O+J + Pessimista
K+I + Moderada
K+J + Moderada
L+I + Moderada
L+J + Moderada
M+I + Moderada
M+J + Moderada
N+H + Moderada
N+I + Moderada
N+J + Moderada
O+H + Moderada
O+I + Moderada
O+J + Moderada
Todas essas combinações resultam acréscimos de ofertas acima de 8.600.000 TC/safra, que somados a oferta de cana atual de 7.172.666 TC/safra preenchem a demanda para os períodos de 199/200, 220/224 e 245 dias efetivos de safra.
Não é admissível, no interesse regional e da própria estabilidade operacional das usinas, que as safras sejam realizadas em períodos mais curtos, mesmo considerando algumas vantagens decorrente disso, como a concentração da moagem nos meses históricos de maior teor de sacarose das canas e conseqüente maior rendimento industrial das usinas, a fuga da época dos meses de grandes chuvas (novembro e dezembro), pois a diminuição de safra acarretaria menos benefícios sociais para os trabalhadores, uma situação de desemprego mais longa, de mais grave efeito sobre a mão de obra flutuante, fato que estimularia o êxodo dos trabalhadores para outras regiões, com conseqüente risco de diminuição da mão de obra para atender no futuro o bom funcionamento da atividade na região. Implicaria também num tempo de paralisação industrial que não seria bom para os equipamentos, alem de significar perda de produção otimizada, significando isso o melhor aproveitamento do equipamento, pessoal, matéria prima, produto acabado e custo de armazenamento da produção, etc.
Assim, será considerada, dentro das hipóteses feitas da demanda de canas, apenas três casos de maiores safras, assim definidos no quadro 32.
Quadro 33: Hipóteses de Safras, Tempo Total de Safra e Demanda
Hipótese Características
código período tts/ttem demanda
C jun./dez. 214/175 13.002.500
D mai./dez. 245/199 14.785.700
E mai./jan. 273/220 16.346.000
Obs.: 1. tts = tempo total de safra
ttem = tempo total efetivo de moagem na safra
2. Vamos chamar:
hipótese C = conservadora
D = moderna
E = progressista
3. Não se considerou a safra de maio a fevereiro, por se tratar realmente de uma situação muito incomum para a atual postura de safra da região.
Quadro 33: Diferença entre Demanda e Oferta Atual no Norte Fluminense
C D E
Demanda
13.002.500 14.785.700 16.346.000
Oferta atual média
7.172.666 7.172.666 7.172.666
Demanda a satisfazer
5.829.834 7.613.034 9.173.334
Verifica-se no quadro 33 que é necessário um aumento de oferta de cana dos valores indicado na linha de “demanda a satisfazer”, para cada hipótese.
Comparando estes valores com os números do quadro da soma do potencial de ofertas vertical com horizontal (quadro 28), observa-se que a combinação das hipóteses K+H+Pessimista que resulta em acréscimo de 5.468.167 TC/safra quase preenche a demanda a satisfazer da hipótese C de 5.829.834 TC/safra, podendo ser praticamente considerada como válida. É uma condição de grande probabilidade de ser alcançada, requerendo um mínimo de esforço face a gravidade da situação atual (105.000 ha de área nova com cana; 35 T/Ha de rendimento desta área nova e pessimistamente 25 % de incremento da produção, igual a 1.793.167 TC/safra). O preenchimento da demanda a satisfazer da hipótese D, 7.613.034 TC/safra seria praticamente atingida pela combinação das hipóteses K+I+Pessimista ou O+H+Pessimista, ambas de 7.568.167 TC/safra, correspondendo:
Hipóteses K+I+Pessimista: 55% de aumento de área (I); 35 TC/ha de rendimento agrícola desta nova área (H); e 25% de aumento vertical sobre a produção média atual (Pessimista).
Hipóteses O+H+Pessimista: 35% de aumento de área (H); 55 TC/ha de rendimento agrícola desta nova área (H); e 25% de incremento vertical sobre a produção média atual (Pessimista)
Para o preenchimento da demanda a satisfazer da hipótese E, de 9.173.334 TC/safra, tem-se as combinações de hipóteses M+I+Pessimista, K+I+Moderada e O+H+Moderada, como aquelas que exigem menores esforços, apesar de apresentarem maiores dificuldades de serem alcançadas do que as combinações das duas demandas anteriores.
Hipóteses M+I+Pessimista: 9.218.167 TC/safra. Sendo, 55% de aumento de área plantada (I); 45 TC/ha de rendimento agrícola na nova área plantada (M); e aumento vertical de produção de 25% sobre a oferta média atual de canas (pessimista).
Hipótese K+I+Moderada: 9.361.333 TC/safra. Sendo, 55% de incremento de área plantada (I); 35 TC/Ha de rendimento agrícola desta nova área (K) e 50% de incremento vertical da média atual da oferta de canas (Moderada).
Hipótese O+H+Moderada: 9.361.333 TC/safra. Sendo: 35% de aumento de área plantada (H); 55 T/ha de rendimento agrícola na nova área plantada (O); e 50% de incremento vertical da oferta média atual de canas (Moderada).
Entendeu-se apresentar as condições mínimas para a oferta de cana permitir a continuação do numero de usinas do atual parque industrial da região. Acima destas condições, uma maior oferta só teria benefícios e se combinaria de imediato a fatores não considerados, tais como melhoria de rendimentos industriais, melhoria de transporte, diminuição do tempo de parada para limpeza das usinas e etc., que propiciariam a absorção de possível maior oferta, alem da numericamente expressa nas hipóteses feitas. Por outro lado, as estatísticas apresentadas não são números absolutos, e dentro da sua relatividade permitem algumas variações, que só poderiam influir a favor dos resultados alcançados, tendo em vista a prudência com que foram selecionados.
5. CONCLUSÕES
5.1. O Complexo Industrial Instalado
Há uma necessidade imperiosa de se equilibrar a oferta com a demanda de canas pelas usinas do Norte Fluminense, para que seja preservado o seu atual parque industrial.
A Região Norte Fluminense dispõe de condições para aumentar a oferta de cana através de incremento vertical da produção, com a adoção de técnicas corretas e novos procedimentos de grande efeito produtivo sobre a lavoura de canas, e de incremento horizontal de produção, através do aumento da área plantada, utilizando área viável existente dentre a área disponível na região. Já existe quantificação desses fatores de produção e de seus efeitos na região, de modo que, o estudo da atual problemática de abastecimento de canas para as usinas representando a própria preservação do atual parque industrial se torna possível, na direção de indicar os sentidos mais viáveis a serem seguidos para a solução definitiva das dificuldades hoje existentes.
Considerou-se várias hipóteses e chegou-se a conclusão que o abastecimento pleno das usinas pode ser alcançado através da composição de períodos de safras e respectivos períodos de moagens com os diversos fatores que permitem o aumento de produção de cana. Assim, para uma safra de 127 dias, seria conseguido a curto prazo o abastecimento pleno das usinas, com o mínimo de esforços, representado por 25% de aumento de área sobre os 300.000 ha viáveis e disponíveis na região (75.000 ha – hipótese G), com 35 TC/ha de rendimento agrícola nesta área que acarretaria um incremento de 2.625.000 TC/safra, que somado a 25% de incremento vertical da produção de cana através de novas técnicas (1.793.167 TC/safra) e as 7.172.666 TC/safra da média de oferta atual, superaria a demanda das usinas para esse período de safra de 9.436.100 TC/safra. Entretanto, preferiu-se não adotar o caminho de períodos de safra curto, o que levou a ser considerado necessariamente algumas hipóteses menos imediatas ou mais trabalhosas de serem atingidas. Fixou-se como períodos ideais de safra as hipóteses de: 175, 199 e 220 dias efetivos de moagem, com as respectivas demandas: 13.002.500 TC/safra, 14.785.700 TC/safra e 16.346.000 TC/safra. Para preencher tais condições, várias combinações de hipóteses foram encontradas, dentre as quais, exigindo moderado aumento de área e baixos rendimentos agrícolas e um mínimo de técnicas de efeito vertical sobre a atual produção média de canas, se situam:
Aumento da área plantada: 165.000 ha (55% da área viável de 300.000 ha disponíveis no Norte Fluminense.- hipótese I)
Rendimento agrícola desta nova área: 35 TC/ha (hipótese K).
Incremento vertical de produção de 50% da produção média atual (7.172.666 TC/safra): 3.586.333 TC/safra (hipótese Moderada)
Esta combinação de hipóteses (K+I+moderada) representaria um acréscimo de oferta de cana de 9.361.333, atendendo a “demanda máxima a satisfazer”, que é a da hipótese E no valor de 9.173.334 TC/safra (quadro 33).
Uma outra hipótese ainda bem acessível seria:
Aumento da área plantada: 165.000 ha (55% da área viável de 300.000 ha disponíveis no Norte Fluminense.- hipótese I)
Rendimento agrícola desta nova área: 45 TC/ha (hipótese M).
Incremento vertical de produção de 25% da produção média atual (7.172.166 TC/safra): 1.793.167 TC/safra (hipótese Pessimista)
Esta combinação de hipóteses resultaria um incremento da oferta de canas de 9.218.167, ainda maior que o exigido pela hipótese da “demanda a satisfazer E” igual a 9.173.334 TC/safra.
Ate o preenchimento da hipótese moderada, mesmo com altos rendimentos agrícolas, torna-se necessário razoável incremento de novas áreas plantadas para atingir safras mais longas (hipóteses D e E do quadro 33 – demanda a satisfazer). Conclui-se ainda que nas condições Otimista e Ambiciosa, preenche-se a demanda a satisfazer das hipóteses C, D e E, mesmo com baixos rendimentos e pequena área de expansão como mostra as duas colunas do quadro 28 referente as hipóteses Otimista e Ambiciosa.
Quadro 34: Capacidade de Moagem Instalada do Parque Industrial do Norte Fluminense em 1990/94
(*) Hipóteses Capacidade
(TC/safra)
A 9.436.100
B 11.219.300
C 13.002.500
D 14.785.700
E 16.346.000
F 18.203.500
Obs.: (*) quadro 17.
Quadro 35: Soma da Contribuição Vertical e Horizontal com Oferta Atual Média de Canas (TC/safra):
Contribuição vertical
pessimista moderada otimista ambiciosa
horizontal
K+G 11.590.833 13.383.999 16.790.332 18.404.865
K+H 12.640.833 14.433.999 18.020.332 19.454.865
K+I 14.740.833 16.533.999 20.120.332 21.554.865
K+J 15.790.833 17.583.999 21.170.332 22.604.865
L+G 11.965.833 13.758.999 17.345.332 18.779.865
L+H 13.165.833 14.958.999 18.545.332 19.979.865
L+I 15.565.833 17.358.999 20.945.332 22.379.865
L+J 16.765.833 18.558.999 22.145.332 23.579.865
M+G 12.340.833 14.133.999 17.720.332 19.154.865
M+H 13.690.833 15.483.999 19.070.332 20.504.865
M+I 16.390.833 18.183.999 21.770.332 23.204.865
M+J 17.740.833 19.533.999 23.120.332 24.554.865
N+G 12.715.833 14.508.999 18.095.332 19.529.865
N+H 14.215.833 16.008.999 19.595.332 21.029.865
N+I 17.215.833 19.008.999 22.595.332 24.029.865
N+J 18.715.833 20.508.999 24.095.332 25.529.865
O+G 13.090.833 14.883.999 18.470.332 19.544.865
O+H 14.740.833 16.533.999 20.120.332 21.554.865
O+I 18.040.833 19.339.999 23.420.332 24.854.865
O+J 19.690.833 21.483.999 25.070.332 26.504.865
Fonte: Quadro 28 + oferta média atual de canas
5.2. A Questão do mercado do Açúcar
A atual problemática de mercado se apresenta a exigir focalização qualitativa para a segurança e preservação das unidades produtoras. Aproxima-se um futuro de concorrência sem precedentes no mercado açucareiro da região Centro-Sul, no sentido do produto de tipo de melhor qualidade do que aquele que se produz nas usinas do Estado do Rio de Janeiro. Como necessidade imperiosa a produção do Estado do Rio de Janeiro precisa aumentar, agravando a questão da oferta de açúcar cristal. Ao se esperar maior disputa do mercado de açúcar cristal e, paralelamente, uma demanda mais exigente de qualidade, principalmente de qualidade estável, que através da fabricação do açúcar cristal é mais difícil, conclui-se a absoluta necessidade de uma refinaria local ou num grande centro bem dotado das condições estruturais necessárias ao empreendimento, pertencente ao grupo de produtores da região Norte Fluminense ou a expansão das atuais usinas para unidades produtoras com refinarias anexas, consolidando a participação da produção do Estado do Rio de Janeiro em todos as fatias do mercado, evitando dependências perigosas que limitem sua participação nele, decorrentes da maior atuação das outras regiões produtoras, ou mesmo, de qualquer circunstancia de comportamento ou exigência do mercado. Somente a evolução qualitativa da produção, com mais uma opção mercadológica poderá dar a necessária estabilidade as usinas do Estado do Rio de Janeiro no confronto com as de outras regiões do país, onde já operam refinarias vinculadas a grandes produtores de açúcar do Brasil e de outros que poderão instalar nas novas regiões que vem surgindo com produção acelerada.
5.3. Pesquisa e Tecnologia
No campo da pesquisa, desenvolvimento tecnológico e extensionismo, a região canavieira-açucareira do Rio de Janeiro encontra-se neste momento extremamente carente apenas se apoiando nas esperanças de contribuição das Universidades recém instaladas UENF e Rural, não existindo nenhuma instituição especializada para este fim na Região Norte Fluminense, após ter sido sede da famosa Estação Experimental da Cana de Açúcar, mas das variedades CB, e do PLANALSUCAR. É urgente a necessidade de se atender a agro-indústria açucareira naquilo que lhe é básico e garantia de desenvolvimento e progresso: a pesquisa, a experimentação, desenvolvimento de novas tecnologias e o extensionismo para se por em prática as novas conquistas científicas.
É importante ressaltar que um dos fatores que tem permitido maior dinâmica na estrutura de produção de São Paulo, entre outros, é o apoio de uma eficiente estrutura de pesquisa diretamente e especificamente ligada a industria açucareira. No Estado do Rio, a ausência desta estrutura marcará sempre uma dependência tecnológica e impedirá ou retardará a adoção de novos conceitos tecnológicos.
5.4. Conclusão Final
A problemática do equilíbrio da oferta com a demanda de canas para as usinas do Norte Fluminense dispõe de dois caminhos demonstrados no quadro 28. Um no sentido da predominância de contribuição da ampliação de áreas novas (expansão horizontal da cultura da cana) e menos contribuição de técnicas novas (Irrigação, etc.) ou, um outro, no sentido da predominância de contribuição das técnicas e rendimentos agrícolas, com menor participação da expansão de novas áreas. Todos os dois caminhos tem seus problemas e seus custos.
Sobre a participação mercadológica, conclui-se, face as perspectivas do mercado de açúcar cristal, cada vez mais disputado e de qualidade restrita, pela necessidade de uma estruturação mais firme da produção do Estado do Rio de Janeiro, no sentido de abranger um mais amplo mercado de açúcar através do açúcar refinado, implicando isto, na posição das usinas do Estado do Rio de Janeiro se ampliarem com instalações de refinarias, produzindo a partir dai tipo de açúcar de total aceitação com possibilidades de mercado interno e externo.
E por ultimo, destaca-se grande importância de reiniciar a pesquisa em todas as áreas pertinentes a cana de açúcar, para que a atividade na região possa se sustentar, e ter base para uma ampliação, tanto vertical quanto horizontal.
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